Por Stella Ferrari — Em uma declaração comovente e firme, Lisa Dallara levantou sérias questões sobre os cuidados recebidos por seu pai, Tony Dallara, que faleceu em 16 de janeiro. Em entrevista ao programa Storie Italiane da Rai1, apresentado por Eleonora Daniele, familiares prestaram homenagens ao artista e compartilharam detalhes dos últimos dias de vida do cantor.
A esposa, Patrizia, lembrou a convivência familiar com elegância e afeto: “Um grande marido e um grande pai, la sua arte l’ha dimostrata anche in famiglia: prima c’eravamo noi poi se c’era spazio c’era anche lui”. A narrativa da família ressaltou a naturalidade e a presença do artista no cotidiano, onde até momentos simples — como o episódio de comemoração no Festival de Sanremo — viraram memória afetiva: segundo Lisa, quando anunciaram que ele havia vencido, ele estava nos bastidores comendo um sanduíche de salame, imagem que traduzia sua autenticidade.
No entanto, foi a fala de Lisa que trouxe à tona uma denúncia dura e direta. Após uma operação bem-sucedida para tratar a fratura do fêmur, Tony Dallara se encontrava em recuperação e com sinais de melhora. “Era in ottima ripresa”, disse Lisa. A intenção era a reabilitação, mas, ao ser transferido para uma estrutura destinada a esse objetivo, o quadro se agravou: ele contraiu um vírus respiratório que precipitou a deterioração clínica em poucas horas.
A filha questionou a clareza do diagnóstico — “Non è stato molto chiaro quale virus” — e, de forma incisiva, criticou o padrão de atendimento: “Non ha avuto un’assistenza ospedaliera ottimale, purtroppo”. A queixa central refere-se não apenas à assistência técnica, mas também à atitude de profissionais que teriam relativizado a situação com repetições do argumento “ha 89 anni”, frase que, segundo Lisa, soou como uma desvalorização da vida e feriu profundamente a família.
É importante sublinhar os fatos com precisão: a idade avançada e comorbidades podem modificar prognósticos, mas, na visão da família, havia um quadro estável que justificava uma intervenção mais atenta. “Poteva stare con noi ancora un po’”, afirmou Lisa, sintetizando o sentimento de perda e a suspeita de que uma calibragem diferente nos cuidados poderia ter prolongado sua presença entre os entes queridos.
Sobre a possibilidade de medidas legais, a família prefere, por ora, priorizar o luto: “Siamo in un momento in cui ci è piombato tutto addosso e non abbiamo lucidità”, disse Lisa. Eles reservam a análise de eventuais ações judiciais para o futuro, após o período de despedida.
Relatos como este colocam em evidência a necessidade de manter a precisão e a empatia na assistência hospitalar, sobretudo em ambientes de reabilitação onde a recuperação depende de uma “calibragem” exata dos cuidados e da vigilância. Como estrategista que observa sistemas e resultados, vejo aqui uma falha no sincronismo entre expectativa clínica e execução dos protocolos — um problema que exige investigação para que o motor da assistência funcione com a eficiência digna de quem, em vida, foi símbolo de arte e dedicação familiar.
A família agradeceu pelas numerosas manifestações de afeto de colegas, fãs e desconhecidos que se aproximaram para prestar tributo. Enquanto tentam organizar os próximos passos, preferem, por ora, focar na despedida e na preservação da memória de Tony Dallara.






















