O deputado eleito pelo Partido Democrata na América do Sul, Fabio Porta, expressou forte oposição à recente medida aprovada pelo Conselho de Ministros da Itália sobre a cidadania italiana. Durante entrevista, Porta afirmou estar “surpreso e ofendido” com o chamado “pacote da cidadania”, destacando os argumentos utilizados pelo Ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, para justificar a urgência do decreto.
“A história da emigração italiana no mundo nunca foi insultada dessa forma”, afirmou Porta, referindo-se à coletiva de imprensa em que Tajani classificou parte dos descendentes de italianos como “oportunistas” e “aproveitadores”. O parlamentar destacou que essa visão ignora o papel histórico da diáspora italiana e desconsidera o impacto positivo dos emigrantes e seus descendentes na projeção da cultura e economia italiana ao redor do mundo. Leia mais sobre: Decreto-Lei 28 de março de 2025 – Alterações nas Regras da Cidadania Italiana.
Porta enfatizou que sempre esteve aberto a um debate sério e aprofundado sobre a reforma da cidadania e, inclusive, já havia denunciado abusos no sistema e sugerido correções na legislação vigente. No entanto, criticou o governo por agir sem diálogo parlamentar e ignorar os representantes dos italianos no exterior. “Outra coisa é ignorar o Parlamento e o sistema de representação dos italianos no exterior e intervir com a urgência de um decreto sobre uma questão que diz respeito aos direitos civis e políticos dos nossos concidadãos”, destacou.
O deputado também reprovou a forma como o governo tem tratado a questão migratória, associando-a a uma “emergência nacional” e a um problema de segurança, em vez de valorizá-la como uma oportunidade. Segundo Porta, a Itália enfrenta uma grave recessão demográfica e deveria enxergar a emigração e imigração como fatores positivos para o desenvolvimento do país, ao invés de reforçar discursos excludentes.
Por fim, Fabio Porta garantiu que ele e seu partido agirão no Parlamento para “corrigir as contradições e inconsistências” da nova disposição, reforçando o compromisso em defender os direitos dos italianos no exterior. “Faremos isso antes de tudo para o bem do país e para restaurar a dignidade de uma história de sacrifício que tanto contribuiu para a riqueza da Itália durante mais de um século de emigração ao redor do mundo”, concluiu o parlamentar.
A medida do Conselho de Ministros continua a gerar debates e resistência entre representantes da comunidade italiana no exterior, que veem na decisão um retrocesso nos direitos de reconhecimento da cidadania por descendência.