Antonio Zappi, presidente da AIA (Associação Italiana de Árbitros), foi sancionado com 13 meses de suspensão pelo Tribunale Federale Nazionale (TFN). A decisão — que acolheu integralmente a solicitação feita em audiência pela Procura federal — torna-se imediatamente executiva e abre uma crise institucional na classe arbitral italiana.
A punição refere-se a condutas imputadas a Zappi relativas a pressões exercidas no âmbito das mudanças das estruturas técnicas das categorias profissionais: a Can C (Série C) e a Can D (Série D). Concretamente, a acusação aponta que Zappi teria induzido os então responsáveis dessas estruturas, Maurizio Ciampi e Alessandro Pizzi, a apresentarem demissão para abrir espaço às figuras que ele pretendia integrar — entre elas ex-árbitros de destaque que figuravam no seu projeto de direção.
Segundo o relatório da Procuradoria, as declarações e as iniciativas atribuídas a Zappi configuram uma tentativa de influência indevida sobre órgãos técnicos. A investigação combina elementos de uma apuração acelerada com a interpretação de que, além de uma possível ingenuidade do acusado, atuaram facções internas da associação empenhadas em disputar o controle do aparelho dirigente. A leitura da Procuradoria foi aceita pelo TFN.
Além da penalidade aplicada a Zappi, o tribunal impôs dois meses de inibição a Emanuele Marchesi, membro do Comitato Nazionale da AIA. Os pareceres e as decisões do TFN têm efeito imediato: Zappi não pode exercer funções e a gestão cotidiana da Associação passa temporariamente ao seu vice, Francesco Massini. Essa transição é provisória — a suspensão é passível de recurso e o caso seguirá para a etapa seguinte no sistema jurídico esportivo.
Do ponto de vista estatutário, a situação do presidente é complexa. Apesar de a sanção ser superior a um ano, a perda da presidência nos órgãos da Federação (FIGC) depende da irrevogabilidade da medida: só com decisão definitiva, após o segundo grau — a Corte d’Appello — é que se concretiza a decairão automática do cargo. Enquanto isso não ocorrer, Zappi permanece formalmente presidente, embora impedido de praticar atos de gestão.
Se a pena for confirmada em segunda instância, a FIGC terá duas alternativas previstas: convocar novas eleições para a direção da AIA ou nomear um comissariamento para administrar a associação por ato federativo. Fontes internas consultadas informam que a expectativa é de impugnação imediata por parte de Zappi, com recurso à Corte d’Appello, o que manterá o litígio em aberto por meses.
O episódio acende um foco sobre a governança da arbitragem na Itália. A combinação entre litígios internos, manobras políticas e investigações disciplinares delineia um quadro em que a representação dos árbitros pode ficar subordinada a jogos de poder, com impacto direto sobre a estabilidade das estruturas técnicas das séries profissionais.
Apuração e cruzamento de fontes indicam que a atual crise pode provocar mudanças duradouras na gestão e reforçar pedidos de transparência e regras mais claras sobre a interferência de dirigentes em nomeações técnicas. A expectativa é que o processo em segunda instância traga novos elementos e possivelmente acalme, ou agrave, as divisões internas.
Río-x do factual: TFN aplica 13 meses a Zappi; 2 meses a Marchesi; gestão imediata a Francesco Massini; decisão executiva, recurso à Corte d’Appello esperado; perda definitiva da presidência depende de sentença confirmada em segundo grau.




















