Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
O duelo entre Udinese e Sassuolo, marcado para domingo às 12h30, ganha contornos que vão além do empate de tabela: é um espelho das tensões regionais e das trajetórias de clubes que representam filosofias distintas no futebol italiano. À véspera do lunch match no Dacia Arena, o técnico da Udinese, Kosta Runjaic, traçou um diagnóstico sóbrio e realista do confronto.
“Lembramos bem o que aconteceu na primeira volta, lá em Reggio Emilia: foi uma derrota merecida. O Sassuolo tem um potencial semelhante ao nosso. Apresentam uma organização clara e interessante, com qualidade individual. Vamos fazer tudo para conquistar os três pontos. Precisamos da intensidade certa, que nos faltou em Lecce”, afirmou o treinador em coletiva.
No plano ofensivo, a Udinese chega sem Davis, ausente da convocação, e com expectativas depositadas em Zaniolo. Runjaic ponderou: “Zaniolo treinou muito bem; não espero milagres, mas pode fazer a diferença para o nosso time. Estou otimista, mas não vou adiantar quem jogará ao seu lado no ataque. Diante da nossa torcida, queremos entregar uma boa atuação e somar pontos.”
Do ponto de vista físico e de opções, algumas definições importantes: Buksa retorna ao elenco, porém ficará disponível apenas para o banco de reservas. Kamara segue fora — deverá retomar trabalho com o grupo durante a semana, mirando a partida contra o Bologna. Para a retaguarda, Solet é confirmado como solução após oscilações na exibição contra o Lecce: “Ele tem sempre vontade de ter a bola. Nos últimos dois meses estabilizou o nível de suas performances”, observou Runjaic.
Este encontro ocupa um lugar simbólico na temporada — não é apenas a busca por três pontos, mas uma tentativa de recobrar coerência tática e intensidade numa fase em que a Serie A exige constância. Para a Udinese, jogar às 12h30 é também um reflexo do calendário italiano, que impõe ritmos curtos e decisões rápidas a técnicos, atletas e torcedores; para o Sassuolo, significa testar sua organização e a qualidade individual em solo alvinegro.
Do ponto de vista estratégico, Runjaic parece inclinado a priorizar solidez e intensidade coletiva, confiando em jogadores que têm recuperado regularidade. A entrada de Zaniolo, se confirmada no onze inicial, será uma demonstração de ambição: buscar criatividade e verticalidade, mas sem abrir mão do equilíbrio. A ausência de Davis obriga criatividade e, ao mesmo tempo, modera as expectativas de explosão ofensiva instantânea.
Na perspectiva histórica e social, este tipo de partida confirma como o futebol italiano permanece um campo de disputa por identidades regionais e modelos de gestão esportiva. A Udinese, com sua base local e tradição de formação, confronta o Sassuolo, que nos últimos anos se consolidou como laboratório tático e projeto de médio porte. O resultado, mais do que números, dirá qual projeto encontrará melhor resposta às exigências do presente.
Fique atento: a transmissão ao vivo começará às 12h30. A partida servirá não só para medir forças, mas para entender rumos próximos da temporada de ambos os clubes.






















