Chame como preferir — farsa, vergonha, imbróglio. O que se repete em torno do Trapani Shark, propriedade de Valerio Antonini, é um colapso administrativo e esportivo que não encontra fim. Depois da exposição internacional pela partida de apenas sete minutos na Champions League contra o Hapoel Holon, o clube trapanese voltou a protagonizar um episódio de gravidade: na partida do campeonato contra o Trento, no PalaShark, a equipe permaneceu em quadra por apenas quatro minutos.
O cenário é sempre o mesmo: disponibilidade reduzida de atletas. Para o confronto com Trento a lista de aptos somava apenas sete jogadores, sendo três profissionais — Rossato, Pugliatti e Sanogo — e quatro jovens da base: Pattie, Martinelli (já presentes na controvérsia em Bulgaria), e os estreantes Giacalone e Alberti. Três deles têm 18 anos e um tem 16. Em imagem que circulou, as camisas dos mais jovens apareciam com fita adesiva cobrindo o nome de companheiros anteriores.
Ausências e suspensões explicam parte do esvaziamento do elenco: Cappelletti cumpria suspensão, Nota estava lesionado, e Arcidiacono e Petrucelli não compareceram. A sequência costuma ser a mesma: a lista encolhe — quatro, três, dois jogadores — até que o confronto seja suspenso.
As consequências administrativas e financeiras são severas. Ao longo das últimas semanas a justiça desportiva aplicou quatro provvedimenti distintos que resultaram em uma penalização de 10 pontos na classificação do Trapani. Além disso, a cada jogador ausente em relação ao mínimo de doze contratos profissionais obrigatórios, o clube é multado em 50 mil euros. No caso da partida com o Trento, a soma das sanções atinge a cifra de 250 mil euros.
O impasse já causou consequências práticas: no jogo anterior, contra a Virtus Bologna, o Trapani sequer entrou em quadra e foi multado em 50 mil euros. A próxima etapa citada por observadores e reguladores pode ser ainda mais drástica: a exclusão do campeonato está entre as possibilidades previstas caso a situação não se regularize.
Os fatos são claros e mensuráveis. Não se trata de hipérbole jornalística: trata-se de um raio-x do cotidiano de um clube que enfrenta simultaneamente problemas contratuais, disciplinares e de gestão. A continuidade dessas ocorrências — partidas interrompidas, multas recorrentes e um elenco reduzido a adolescentes expostos a um palco profissional — levanta questões objetivas sobre a governança do clube e a eficácia dos mecanismos de supervisão das competições.
Apuração in loco e cruzamento de fontes confirmam a cronologia: primeiro o episódio europeu contra o Hapoel Holon, depois a fragilidade reiterada no campeonato doméstico, e a sequência de sanções da justiça desportiva que penalizam esportivamente e financeiramente o clube. A realidade traduzida é crua: sem uma intervenção estrutural, o Trapani Shark caminha para um agravamento que pode culminar na perda do direito de competir.



















