Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Com a precisão típica de quem transformou pressões em rotinas, Jannik Sinner voltou à quadra e cumpriu o objetivo em Doha: estreia vitoriosa e sinais claros de equilíbrio físico e mental. A partida contra Tomas Machac terminou 6-1, 6-4 em 1h10, e deixou uma impressão pragmática — não foi passeio, mas foi controle.
Passaram-se 17 dias desde a derrota surpreendente para Novak Djokovic nas semifinais do Australian Open. A questão mais óbvia era saber se aquelas toxinas psicológicas ainda pesariam. A resposta veio em forma de jogo: Sinner mostrou-se solto, confiante e com leitura tática apropriada ao vento que marcou o dia em Doha. “Me senti bem em quadra”, disse o campeão italiano na entrevista pós-jogo ao microfone de Rio Ferdinand. “Fisicamente também estou bem, embora cada partida vá ficando mais difícil” — uma avaliação sóbria, com a prudência de quem entende calendário e desgaste.
No primeiro set, Machac (n.31 do ranking) ficou em clara dificuldade: apenas 26 minutos para o placar inicial. Sinner sacou muito bem e quebrou o serviço do tcheco duas vezes, nos games 2 e 5, consolidando domínio. No segundo set, Machac tentou reagir, equilibrou mais os pontos, mas sucumbiu quando Sinner elevou o ritmo no quinto game e novamente arrancou o serviço. A vitória foi limpa, sem dramaticidade, mais significativa pelo controle do jogo do que pela dificuldade imposta pelo adversário.
Nos oitavos, Jannik terá pela frente o australiano Alexei Popyrin (n.53). O confronto traz um histórico equilibrado (1-1): Sinner venceu o último embate, no US Open, por 6-3, 6-2, 6-2, mas o cenário atual reforça que estatísticas não anulam variáveis de forma e superfície.
Enquanto isso, a atenção também se volta para Carlos Alcaraz, que estreia hoje contra o experiente francês Arthur Rinderknech (n.30). Caso ambos avancem, um encontro entre Sinner e Alcaraz só seria possível na final do ATP 500 — hipótese que acende o interesse sobre o desenho do torneio e suas implicações para a hierarquia da temporada.
No outro polo do calendário, Matteo Berrettini optou por reduzir deslocamentos e abrir a temporada no Rio Open (ATP 500, saibro), torneio com premiação aproximada de 2,5 milhões de dólares e ressonância particular para o romano. “Minha avó nasceu aqui, parte da família ainda vive aqui”, explicou Berrettini, justificando o afeto pela cidade. Ele afirmou sentir-se motivado e em processo de ajuste físico e mental após o forfait no Australian Open por problemas abdominais.
O que essa jornada em Doha sinaliza, em termos maiores, é uma continuidade no projeto de Sinner: não apenas buscar resultados, mas afirmar constância. Em uma era em que a gestão de calendário e recuperação é tão determinante quanto talento puro, partidas como a de hoje reiteram que a trajetória do italiano combina técnica com maturidade — e que a próxima prova, contra Popyrin, será um termômetro mais exigente.






















