Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Uma vitória que tem mais perguntas do que respostas do que um mero resultado: Jannik Sinner, número 2 do mundo, foi eliminado nos quartos de final do ATP 500 de Doha pelo jovem tcheco Jakub Mensik (n.º 16), por 7-6, 2-6, 6-3, numa partida que durou pouco mais de duas horas. O desfecho impede o encontro esperado entre Sinner e Carlos Alcaraz na final e reconfigura o livro de rota desta semana no Catar.
O que aconteceu em quadra foi, em certa medida, a confrontação entre experiência e aquela audácia calculada que tantos talentos contemporâneos exibem. O primeiro set correu ponto a ponto, sem quebras até o tie-break, quando Mensik se impôs por 7-3. Sinner tentou reagir e encontrou ritmo no segundo set: beneficiando-se também de uma queda de rendimento do adversário, arrancou duas quebras seguidas e venceu por 6-2.
O terceiro set, porém, trouxe a virada decisiva. Mensik obteve um break logo de início e conseguiu sustentar sua vantagem, até forçar novamente o serviço do italiano no nono game e assim conquistar a vitória mais significativa da carreira até agora. Para o tcheco, a próxima etapa é um confronto com o francês Arthur Fils (n.º 40), que reencontrou a forma ao vencer Jiri Lehecka por 6-3, 6-3 — um sinal de que a nova geração europeia segue em ascensão.
Enquanto isso, o número 1 do mundo, Carlos Alcaraz, teve de suar para superar o russo Karen Khachanov em três sets (6-7, 6-4, 6-3), um lembrete de que a margem entre favoritos e postulantes é estreita nesta fase da temporada.
Para Sinner, a eliminação é um revés em um início de ano que já vinha sendo cauteloso: após a derrota na semifinal de Melbourne para Novak Djokovic e o retorno à temporada pós-suspensão negociada com a WADA pelo caso do clostebol, o italiano buscava recuperar o tempo perdido. Em entrevista após o jogo, Sinner minimizou o episódio com a usual franqueza calculada: “Não aconteceu nada de grave, não é um desastre: são momentos que acontecem no tênis. Estou sereno, o trabalho vai render; tenho de recuperar confiança e ritmo”.
Há, no entanto, interpretação a fazer além do placar. A vitória de Mensik confirma a força dos jovens que emergem no circuito, capazes de impor potência e precisão técnica contra jogadores mais estabelecidos. Para Sinner, trata-se menos de um colapso e mais de um lembrete: recuperar ritmo físico e confiança mental será prioridade antes dos Masters 1000 nos Estados Unidos, em Indian Wells e Miami, onde os pontos e o prestígio serão cruciais.
O esporte moderno, novamente, mostra-se como espelho social: ciclos se fecham e outros se abrem, talentos renovam hierarquias e a narrativa coletiva — do torcedor à imprensa — precisa ajustar-se à velocidade desses acontecimentos. Sinner terá tempo para reagir; Mensik, por sua vez, ganhou um capítulo decisivo em sua trajetória.






















