Jannik Sinner, número 2 do mundo, enfrenta James Duckworth, 88º no ranking, no segundo turno do Australian Open. No papel o confronto é desequilibrado: de um lado o vencedor dos últimos dois principais da temporada, do outro um jogador que jamais passou do segundo turno em muitos Slams. Ainda assim, o australiano soma dois primados que o colocam como alerta para o italiano.
O primeiro é estatístico: Duckworth é um dos poucos tenistas recentes a derrotar Sinner nos últimos quatro anos. O segundo é comportamental: é o único a provocar uma reação incomum de frustração no italiano. Em 2021, no segundo turno do Masters 1000 do Canadá, Duckworth superou Sinner por 6-3, 6-4. No segundo set, com Duckworth na dianteira por 4-3 e 40-40, Sinner enviou um drive central para a rede; após o “come on!” do australiano, o italiano reagiu verbalmente de modo atípico: “Ma che c*** urli?” — episódio que ficou registrado nas memórias do circuito.
No confronto direto, porém, Sinner lidera por 2 a 1: triunfos em 2020 (Cologne 2) e em 2021 nos quartos de final de Sofia — todos em piso duro (duas partidas indoor e uma outdoor). O cenário de Melbourne, no entanto, privilegia as qualidades de Duckworth, sobretudo quando disputa longas partidas ao ar livre.
O contexto físico favorece o italiano. Sinner chega ao segundo turno mais fresco, após a desistência de Hugo Gaston com 2-0 no placar, em duelo encerrado em pouco mais de uma hora. Duckworth, ao contrário, saiu de uma batalha de cinco sets e 4 horas e 30 minutos contra o jovem croata Dino Prizmic, vindo do quali — desgaste considerável em torneios do Grand Slam.
Perfil técnico: James Duckworth, nascido em 1992, tem hoje 34 anos e ainda busca o primeiro título ATP. Seu melhor ranking foi o 46º em janeiro de 2022; registrou uma final no circuito (no Cazaquistão) e só uma vez avançou ao terceiro turno de um Major, em Wimbledon 2021, quando perdeu para Lorenzo Sonego. Em Melbourne, Duckworth se vale de um serviço agressivo (média recente de 6,8 aces por partida) e de respostas em early-ball, características que o tornam perigoso em condições de outdoor duro.
Sinner, por sua vez, impõe-se pela superioridade de baseline: conquista um volume relevante de pontos — referência de 55% de pontos ganhos em algumas medições de alto nível, como as ATP Finals — e dispõe de um backhand down-the-line letal, especialmente quando encadeia o padrão conhecido como 2-1 (profundidade central seguida de abertura para o largo no lado de vantagem). Em termos de eficiência energética e de frescor físico, o italiano parte como favorito.
Riscos para Duckworth: o desgaste físico recente e episódios de cãibras já relatados podem limitar seu alcance e a capacidade de manter pressão do fundo em troca de pontos prolongados. Ainda assim, seu estilo — saque potente e primeiras bolas agressivas — pode transformar a partida em uma roleta de pontos curtos, onde o nível de resposta de Sinner e sua capacidade de manter a paciência serão determinantes.
Prognóstico técnico: vantagem clara para Sinner pela combinação de descanso, rendimento em piso duro e superioridade tática no baselining. Duckworth tem caminho de pressão: mais agressividade, variação e explorar chances nas trocas iniciais. O jogo, entretanto, pode voltar a testar a compostura do italiano caso o australiano consiga interromper o ritmo com pontos de saque e quebra de ritmo.
Apuração, cruzamento de fontes e dados brutos indicam um confronto onde o favorito é também o que tem menos margem de erro. Em Melbourne, a realidade traduzida é simples: Sinner é favorito por eficiência; Duckworth, por resiliência e histórico pontual, é a incógnita que pode reavivar memórias de 2021.






















