Retorna ao centro das atenções o campeão azzurro: Jannik Sinner já está em Doha para o início do Qatar ExxonMobil Open, torneio ATP 500 que se disputa no piso duro da capital do Qatar. N° 2 no ranking mundial e segundo cabeça-de-chave, Sinner estreia contra o checo Tomas Machac, 31º colocado.
O contexto em torno do seu retorno não é apenas esportivo. Sinner comentou abertamente o trabalho recente em preparação para a temporada e, indiretamente, a sombra que o caso do clostebol lançou sobre sua presença nas quadras no ano passado: “Eu já estive aqui no ano passado, antes de tudo isso acontecer. Alguns anos atrás ganhei aqui um torneio juvenil. É um lugar relativamente familiar para mim. Estou muito entusiasmado, vamos ver o que acontecerá”, afirmou, segundo agências.
As palavras do tenista trazem camadas que vão além do gosto da vitória: há o esforço de reconstrução da rotina física e de imagem, a tentativa de retomar um percurso esportivo com a mesma naturalidade que tinha antes do episódio. Nesse sentido, o palco de Doha funciona como um local de reaproximação — familiar, mas também exigente.
Do ponto de vista técnico, Sinner destacou prioridades claras. “Estamos trabalhando para tornar o serviço ainda mais consistente e também faço trabalho de academia para manter a melhor forma física, embora grande parte do trabalho seja feito na off-season. Está indo muito bem”, disse. A ênfase no saque e na preparação física indica uma leitura estratégica da temporada: no circuito moderno, o saque sólido e a resistência são pedras angulares para evolução constante em torneios de alto nível.
Sobre a superfície, o jogador comparou as condições às de Indian Wells, observando um ressalto mais pronunciado: “Parece-me que a quadra é semelhante à de Indian Wells, com um quique acentuado, mas preciso avaliar essas sensações em uma partida oficial”. Essa observação é relevante não apenas para tática de jogo, mas também para a forma como o atleta ajusta o corpo a variações de piso e clima — um aspecto que relaciona preparação atlética e leitura do calendário global do tênis.
Concluindo em tom objetivo, Sinner reforçou o objetivo competitivo: “Estou aqui para chegar o mais longe possível; tudo depende dos treinos e das respostas em quadra. Quero entender o que funciona e levar a mesma intensidade aos treinos e às partidas, melhorando onde posso”.
Enquanto a bola não voa na primeira rodada, a narrativa que cerca Jannik Sinner em Doha revela algo maior: o tênis contemporâneo é palco de desafios técnicos, gestão de imagem e reconstrução profissional. Para um atleta na faixa mais alta do ranking, cada torneio é ao mesmo tempo prova e oportunidade — e Doha, com seu status de ATP 500, oferece justamente esse tipo de palco.






















