Por Giulliano Martini — Apuração em Melbourne. A semifinal do Australian Open 2026 entre a bielorrussa Aryna Sabalenka e a ucraniana Elina Svitolina terminou sob foco e controvérsia: a partida não foi concluída com a habitual stretta di mano entre as jogadoras. O encontro ocorreu nesta quinta-feira, 29 de janeiro, na Rod Laver Arena e teve vitória da número 1 do ranking WTA, Sabalenka, por 6-2, 6-3, em 1h16.
O que chamou atenção do público e da imprensa foi a orientação exibida nos painéis do estádio ao final do jogo. Uma mensagem claramente visível informou: “Alla fine del match non ci sarà nessuna stretta di mano tra le giocatrici. Apprezziamo il vostro rispetto nei confronti delle atlete durante e dopo il match”. A instrução foi lida pelos alto-falantes da Rod Laver Arena e repercutida nas redes por espectadores presentes.
O anúncio surpreendeu por sua objetividade e por tornar público um procedimento que, no tênis profissional, costuma ser informal e decidido pelas próprias atletas. A ausência do aperto de mão padrão foi rapidamente associada a questões políticas — em especial ao contexto do conflito envolvendo Rússia e Ucrânia — contexto que influencia a relação entre atletas de nacionalidades distintas e a reação do público.
O episódio remete a um precedente ocorrido no Roland Garros de 2023. Naquela ocasião, ao término do confronto entre as duas no saibro parisiense, Svitolina evitou o contato no momento em que Sabalenka foi à rede. Na sequência, a bielorrussa declarou: “Non sostengo la guerra, sono andata a rete come gesto istintivo” — declaração que circulou amplamente e foi interpretada na ocasião como tentativa de dissociar-se de posições beligerantes. Aqui, mantenho o registro literal da declaração, sem extrapolações.
Do ponto de vista esportivo, a partida ficou marcada pela superioridade tática e física de Sabalenka, que dominou com serviço potente e agressividade do fundo de quadra, impondo 6-2 no primeiro set e consolidando o triunfo com 6-3 no segundo. O resultado confirma a consistência da número 1 no circuito e sela a vaga na final do maior Slam do ano.
Em nota posterior ao confronto, não houve comunicação pública imediata de nenhuma das jogadoras esclarecendo o motivo exato da ausência do aperto de mão em Melbourne. Tampouco a organização do torneio divulgou declaração adicional além da mensagem exibida nos telões. A ausência de pronunciamento formal mantém em aberto especulações e alimenta a atenção da imprensa especializada.
Registro de prática jornalística: esta matéria foi produzida com base na observação direta do evento (após transmissão e anúncio na Rod Laver Arena), no cruzamento de fontes públicas e em arquivos sobre o confronto entre as atletas no Roland Garros 2023. Mantemos o foco nos fatos verificáveis e evitamos conjecturas sem respaldo documental.
O episódio coloca novamente em evidência como questões exteriores ao jogo — políticas ou simbólicas — têm impacto direto na rotina do circuito profissional. Para além do resultado esportivo, a cena do fim de partida em Melbourne será lembrada como mais um ponto de atrito entre duas campeãs cuja rivalidade ultrapassa a linha de base.






















