Em um espetáculo que pareceu respirar como as estações — ora acelerado, ora lento — a Rod Laver Arena testemunhou uma semifinal que traduz o tênis como um ciclo de resistência e oportunidade. Jannik Sinner saiu derrotado diante de Novak Djokovic em partida que passou das quatro horas, pagando caro pelas chances desperdiçadas.
O dado que virou a narrativa foi severo: 16 break points não aproveitados, sendo 8 somente no quinto set. Foi ali, na hora em que se colhe ou se perde a safra, que o encontro mudou de rosto. Não por um apagão técnico do italiano, mas por uma incapacidade de transformar domínio em fechamento. “É uma derrota que dói muito”, disse um abatido Sinner na coletiva. “Tive minhas oportunidades, muitas chances no quinto set que não consegui aproveitar. Ele sacou grandes jogadas, mas o tênis é assim. Foi uma montanha-russa.”
Aquela mesma montanha-russa havia acontecido mais cedo entre Carlos Alcaraz e Alexander Zverev: 5h27 de batalha. No total, quase 10 horas de tênis de alta intensidade para um público que se entregou à atmosfera como quem caminha por uma paisagem em mudança, absorvendo cada detalhe.
Os números ajudam a explicar a injustiça aparente: Sinner somou 152 pontos contra 139 de Djokovic, sinal de que o italiano muitas vezes comandou os ralis, imprimiu ritmo e tomou a iniciativa. Mas o tênis premia a qualidade dos momentos decisivos, não apenas a contagem total. Sempre que parecia que Sinner poderia se distanciar, Djokovic resistia, como uma árvore que dobra ao vento sem quebrar, aceitando sofrer, administrando limites físicos e apertando nos instantes certos.
Aos quase 39 anos, o sérvio continua a ler a quadra com uma clareza quase auditiva, escolhendo quando acelerar e quando deixar o adversário compor o erro. “Hoje não funcionou algo, apesar do nível altíssimo”, refletiu Sinner, reconhecendo o valor e a história do rival: “Ele tem 24 Grand Slams e não me surpreende o nível. Foi o maior por muitos anos, um modelo para mim e para Carlos.”
A derrota interrompeu a sequência vencedora de Sinner — que vinha de 20 vitórias consecutivas no circuito e 19 triunfos em Melbourne — e, para Djokovic, representa mais uma luta ganha contra o tempo. O sérvio volta a uma final de Grand Slam pela primeira vez desde Wimbledon 2024 e encontrará no caminho novamente Carlos Alcaraz. Será a 38ª final de Major para uma carreira que continua a se alongar.
Para Sinner, a lição é terçado na experiência: há partidas em que a colheita depende de um único ponto. Para os que observam, resta a beleza de ver dois ciclos — juventude e mestre — em um mesmo palco, lembrando que o tênis, como as paisagens italianas que tanto me inspiram, tem suas estações e suas surpresas.






















