Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Em uma final que durou pouco mais do que um aquecimento para a maioria dos tenistas, Carlos Alcaraz confirmou sua condição de número um do mundo ao vencer o Qatar Open com autoridade: 6-2, 6-1 contra o jovem francês Arthur Fils, em cerca de cinquenta minutos. Foi a materialização de um domínio que, mais do que estatísticas, traduz um momento histórico na carreira do espanhol.
O resultado concede ao espanhol o seu 26º título no circuito e amplia ainda mais o fosso na corrida por pontos: a vantagem para Jannik Sinner ultrapassa agora a marca dos 3.000 pontos. Em termos práticos, Alcaraz não apenas soma troféus, mas solidifica um ciclo de superioridade que se manifesta em consistência e capacidade de impor seu jogo nas fases decisivas dos torneios.
Vale lembrar que esta conquista sucede à vitória nos Australian Open no início do mês, torneio no qual, aos 22 anos, Alcaraz completou o Career Slam. O triunfo em Doha representa, portanto, não um acaso de temporada, mas a continuidade de um estado de forma que se traduz em números: uma sequência aberta de 12 vitórias consecutivas.
Para Arthur Fils, 40º no ranking e em reintrodução gradual ao circuito após um longo período de lesão, o encontro com Alcaraz revelou a distância ainda a ser encurtada. A trajetória do francês até a final foi relevante — incluindo vitórias sobre nomes de destaque como Jakub Mensik e Jiri Lehecka —, mas esbarrou na maior capacidade competitiva e na solidez do adversário.
Mais que um placar elástico (apenas três games cedidos por Alcaraz), a final em Doha é leitura simbólica de um momento no tênis mundial: uma geração em ascensão que, ao alcançar feitos precoces, rearranja hierarquias e expectativas. O circuito do Golfo, com sua capacidade de atrair grandes nomes fora dos grandes palcos europeus, torna-se testemunha — e às vezes palco acelerador — de mudanças de ciclo.
Do ponto de vista técnico, Alcaraz voltou a exibir uma combinação de potência e leitura de jogo que o torna perigoso em qualquer superfície. A final em Doha não é somente mais um troféu; é a confirmação de um jogador que, enquanto soma títulos, constrói uma narrativa que atravessa gerações: talento precoce, ambição bem calibrada e resultados que forçam a reavaliação do cenário esportivo europeu e global.
Se o presente é majoritariamente espanhol, a pergunta que fica para o futuro imediato é como seus rivais — especialmente os jovens promissores e os já estabelecidos — responderão estrategicamente. Por ora, em Doha, a sentença foi concisa: Carlos Alcaraz, como um cometa competitivo, deixou poucos resquícios para os adversários.
21 de fevereiro de 2026






















