Por Giulliano Martini — Correspondente La Via Italia. Apuração in loco e cruzamento de fontes.
O Comitê Olímpico Suíço anunciou que mantém um diálogo privilegiado com o Comitê Olímpico Internacional (COI) para a candidatura às Olimpíadas de Inverno 2038. O status garantirá à Suíça exclusividade para promover sua proposta até o final de 2027, segundo comunicado oficial.
A estratégia apresentada prevê uma organização descentralizada dos eventos, distribuída por várias regiões do país. Entre as localidades indicadas figura o município de Crans-Montana, previsto para receber as provas de esqui alpino. Crans-Montana ganhou destaque recente por um episódio trágico: o incêndio no restaurante Le Constellation na noite de Ano-Novo, que resultou na morte de 40 pessoas — fato verificado em reportagens locais e lembrado na proposta de candidatura como contexto da responsabilidade pública na gestão de grandes eventos.
A Suíça já sediou os Jogos de Inverno em duas ocasiões: St. Moritz recebeu as edições de 1928 e 1948. Agora, com os direitos exclusivos até 2027, a candidatura suíça é apoiada pelas federações nacionais de esportes de inverno, por Swiss Olympic e por Swiss Paralympic. Em novembro de 2023, essas entidades fundaram a associação Giochi olimpici e paralimpici invernali 2038, com uma visão comum voltada para reforçar a coesão nacional e a atratividade internacional para turismo e atividade econômica.
Ruth Metzler-Arnold, presidente da Swiss Olympic, foi citada no comunicado: as federações — olímpicas e não olímpicas, de esportes de verão e inverno — desejam que os Jogos de 2038 sejam realizados na Suíça. Metzler-Arnold enfatizou o impacto duradouro do evento sobre o esporte e sobre gerações de atletas, descrevendo-o como uma “estrela polar” que inspira o país além das fronteiras do esporte.
Segundo o plano divulgado, a maior parte das delegações ficará alojada entre a Suíça romanda, a Suíça central (Lucerna) e os Grisons (Graubünden). Locais como Crans-Montana e Lugano deverão utilizar a infraestrutura de hospedagem e acolhimento já existente. A proposta aponta Lausanne como palco da cerimônia de abertura e Berna como sede da cerimônia de encerramento.
Do ponto de vista organizacional, a abordagem descentralizada busca minimizar investimentos ad hoc e maximizar o uso de instalações permanentes, reduzindo riscos financeiros e ambientais. Essa linha foi enfatizada no documento de apresentação ao COI, com argumentos técnicos e projeções de impacto econômico e turístico de longo prazo.
Como repórter com longa vivência na Suíça e na cobertura de grandes eventos, mantenho o acompanhamento do processo: a exclusividade até 2027 cria janela estratégica para consolidar o plano, negociar apoio federal e cantonais e ajustar logística e segurança, sobretudo após episódios recentes que exigem maior atenção à resposta de emergência e gestão de grandes aglomerações.





















