Luciano Spalletti falou com franqueza após a derrota da Juventus por 2-0 diante do Como, partida disputada neste sábado. Os gols de Vojvoda e Caqueret expuseram não só erros pontuais, mas uma fragilidade mental que, na leitura do treinador, está se tornando estrutural.
Na análise do técnico bianconero, o primeiro gol condicionou todo o resto: “se por 13 vezes ao primeiro remate a bola entra, tudo o resto fica condicionado”. A frase sintetiza uma constatação mais ampla: quando falta entusiasmo, falta personalidade e autoconfiança. Spalletti relacionou essa perda de segurança a uma sucessão de passes errados e decisões tomadas sob pressão, não a limitações técnicas permanentes dos jogadores.
O tom foi menos de recriminação isolada e mais de diagnóstico coletivo. Sobre o erro de Di Gregorio no primeiro gol, o treinador foi claro: o goleiro não carrega culpa maior que a do grupo. “Ele erra como erram outros em um momento de superficialidade. A responsabilidade é compartilhada”, disse Spalletti, deslocando a conversa do indivíduo à cultura do time.
Há aqui uma leitura que vai além do resultado: quando um clube com a história e a expectativa da Juventus atravessa fases de oscilação emocional, as consequências reverberam na tabela — e na capacidade de sonhar. Com a vitória, o Como chegou a 45 pontos, ficando a um do Juventude; a Velha Senhora permanece em quinto lugar e vê a Roma com possibilidade de abrir ainda mais vantagem, caso confirme resultado contra a Cremonese.
Spalletti insistiu na ideia de que a disputa por vagas europeias se decide sobretudo internamente: “A Champions será decidida pela nossa convicção; o adversário somos nós mesmos. Se arrumarmos a parte mental e técnica, vamos disputar; se o nível for este, perdemos partidas e não temos ambição possível”. É um diagnóstico que toca na autoridade, na coerência tática e na confiança coletiva — elementos que, segundo o treinador, já foram reconquistados em momentos anteriores da temporada, mas que agora recaem novamente.
Como observa quem acompanha o esporte como fenômeno social, a crise de um clube como a Juventus diz respeito tanto ao plantel quanto às expectativas de quem o cerca: diretoria, imprensa e torcida. Estádios e resultados compõem um circuito simbólico em que a autoestima coletiva pode virar fator competitivo. Spalletti, com sua leitura sóbria, aponta que é preciso recompor essa autoridade interna antes de cobrar ambições europeias.
O resultado em Como não é apenas mais uma derrota no calendário: é um alerta sobre a fragilidade de um projeto que depende da convicção dos seus atores. Resta à Juventus transformar esse sinal em medidas concretas — técnicas e psicológicas — se quiser manter viva a esperança de voltar à Liga dos Campeões.






















