Por Otávio Marchesini — Espresso Italia
Em uma prova que uniu brilho competitivo e sobriedade dramática, a italiana Sofia Goggia assegurou a medalha de bronze na prova de descida livre dos Jogos Olímpicos de Milano Cortina 2026, disputada em 8 de fevereiro. Goggia fechou a sua descida em 1’36″69, completando um percurso que teve a força e a explosão da norte-americana Breezy Johnson e a precisão da alemã Emma Aicher.
A vitória caberia a Breezy Johnson, que dominou a pista e marcou 1’36″10, sagrando-se campeã olímpica da disciplina. Emma Aicher ficou com a medalha de prata, ao completar em 1’36″14. Entre as outras italianas, Laura Pirovano terminou em sexto, Federica Brignone foi décima e Nicol Delago fechou em 11º.
Ao cruzar a linha, Goggia sintetizou seu desempenho com uma fala direta: ‘Faltava-me a última cor da medalha’. A campeã explicou o que, em sua leitura técnica, custou posições: ‘Estou chateada porque no schuss fiquei muito lateral. Ontem tive pesadelos com a primeira travessia, mas ela saiu muito bem. Pena pelo erro’. Com este pódio, Sofia Goggia amplia um legado evidente: são três medalhas olímpicas consecutivas na descida livre — ouro, prata e agora bronze — consolidando-se como uma referência da disciplina no período recente.
Mas a etapa foi marcada por um acontecimento que rapidamente superou o drama esportivo: a queda aparatosa de Lindsey Vonn. Aos 41 anos, Vonn, muito aguardada no estádio, saiu do gate apesar de carregar o histórico de uma lesão no ligamento cruzado do joelho esquerdo. Poucos segundos após a largada ela sofreu uma queda violenta, permanecendo imóvel e visivelmente dolorida na pista. As imagens foram de grande preocupação e, por precaução, a ex-campeã foi retirada de helicóptero para atendimento.
O epílogo da prova ainda registrou outro incidente: a esquiadora Cande Moreno, de Andorra, caiu no final do percurso e também deixou a pista sentindo dores. Esses episódios lembram, de forma crua, a natureza de risco inerente à descida livre — prova onde velocidade, técnica e coragem se confrontam com o limite físico.
Do ponto de vista histórico e cultural, a atuação de Goggia reverbera em duas frentes: mantém a Itália no círculo de elite das provas rápidas e reafirma como atletas singularizam momentos de identidade esportiva nacional. A pista de Milano Cortina, palco de desafios técnicos e altitudes que testam nervos e equipamentos, ofereceu hoje um retrato do esporte moderno: fascínio pela excelência, fragilidade física e a comunidade — equipes médicas, organização e colegas — que responde quando o risco se materializa.
Em termos práticos, a medalha amplia o palmarés de Goggia e alimenta discussões sobre a preparação das italianas para as provas de velocidade; para além dos tempos e das colocações, a prova deixa perguntas sobre recuperação, gestão de carreira e as decisões de atletas veteranas que retornam ao circuito por vínculos pessoais e simbólicos com a modalidade.
Resumo dos resultados principais: 1º Breezy Johnson (1’36″10), 2º Emma Aicher (1’36″14), 3º Sofia Goggia (1’36″69).






















