Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — O retorno às quadras de Jannik Sinner está marcado para segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, quando terá início o ATP 500 de Doha. O tenista italiano, ainda processando a derrota sofrida na semifinal do Australian Open diante de Novak Djokovic em cinco sets, reaparece no circuito encarando o tcheco Tomas Machac, atual número 31 do mundo, no primeiro turno.
O histórico entre os dois favorece o jovem italiano: Sinner soma duas vitórias em dois confrontos diretos. O primeiro embate aconteceu nos oitavos de final do Masters 1000 de Miami, em 2023, com triunfo do italiano em dois sets; a segunda vitória veio na semifinal de Xangai, em 2024, também em dois sets. Esses resultados consolidam uma leitura tática sobre o confronto: Machac representa um desafio físico e de ritmo, mas ainda não descompôs a arquitetura de jogo que Sinner vem construindo.
Do ponto de vista da chave, há caminhos plausíveis e obstáculos significativos. Nas oitavas, o adversário mais provável é o australiano Alexei Popyrin. Nas quartas, o confronto tenderia a opor Sinner ao tcheco Jakub Mensik — que teve problemas físicos em Melbourne — ou ao chinês Zhang. Uma eventual semifinal poderia colocar Sinner frente a frente com o imprevisível kazako Alexander Bublik, o jovem francês Arthur Fils, ou ainda com o experiente Jiri Lehecka.
Do outro lado da tabela, nomes do calibre de Carlos Alcaraz (número 1 do mundo), Daniil Medvedev e Andrej Rublev aparecem como candidatos naturais a uma final de alto consumo técnico e simbólico.
Na avaliação pública após Melbourne, Sinner foi comedido e pragmático: “Foi uma ótima partita, ho avuto le mie chance. Non sempre va come si spera, è lo sport”, disse à Sky Sport, em tom de autocontenção. Em tradução e interpretação, Sinner reconhece que o processo de melhora passa por pequenos ajustes — técnicos, táticos e mentais — e que a carreira de um atleta de 24 anos precisa ser vista em perspectiva: atenção e expectativa são consequentes do que ele e seus rivais alcançaram nos últimos anos.
Como repórter que enxerga o esporte além do placar, é relevante notar que a participação de Sinner em eventos como o ATP 500 de Doha funciona como um momento de revalidação institucional: clubes, patrocinadores e a narrativa pública buscam recodificar as imagens de jovens campeões em agentes de longa duração, não apenas de episódios luminosos. Doha, com sua tradição estrutural e calendário estratégico, oferece o palco para esse ajuste fino.
Para o público, resta acompanhar se as alterações mencionadas por Sinner produzirão resultado imediato ou se servirão como base para uma temporada mais longa. O teste com Machac é o primeiro — e nem sempre o mais revelador —, mas certamente o mais necessário.





















