Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Depois da surpreendente derrota nos quartos de final do ATP 500 de Doha, onde foi batido em três sets pelo tcheco Jakub Mensik (n.º 16 do mundo), surge a pergunta que pesa para todo projeto esportivo: quando Jannik Sinner volta a competir e qual será o impacto dessa derrota no seu percurso rumo ao topo?
O revés no Qatar representa a segunda eliminação consecutiva para o tenista italiano, sucedendo ao encontro com Novak Djokovic na semifinal do Aberto da Austrália. Para um jogador cuja ascensão tem sido constante nos últimos anos, esta sequência marca o primeiro sinal claro de fragilidade competitiva em um ciclo de aproximadamente dois anos. Mas, como bem se sabe no esporte de alta performance, a narrativa imediata das derrotas costuma ser menos definitiva do que aparenta.
Sem tempo para lamentos, Sinner volta sua atenção a um calendário que favorece a recuperação. O próximo compromisso será nos Estados Unidos: o Masters 1000 de Indian Wells, com início em 4 de março, seguido pelo torneio de Miami, a partir de 18 de março. Esses dois eventos – pilares da temporada de pista dura norte-americana – são plataformas fundamentais não apenas para retomar a forma, mas também para acumular pontos valiosos no ranking.
Além dos Masters 1000 americanos, o olhar de Sinner já se projeta para a temporada de saibro, com o Roland Garros como objetivo declarado. Historicamente, a transição para o saibro é um momento de reavaliação técnica e tática; para um jogador do porte de Jannik, é também uma oportunidade de traduzir consistência física e mental em resultados que pesem no ranking.
No aspecto pontual, a parada em Doha trouxe um saldo positivo em termos absolutos: como não tinha pontos a defender — em razão da suspensão que o impediu de participar do torneio no ano anterior pelo caso relacionado ao Clostebol — qualquer avanço se traduz em ganho líquido. Os quartos de final renderam 100 pontos, elevando sua cota para 10.400 pontos no ranking ATP.
Enquanto isso, Carlos Alcaraz manteve o ritmo e, ao alcançar a semifinal em Doha após vencer Karen Khachanov, somou igualmente 100 pontos, ficando com 13.250. Dependendo do desfecho do torneio, Alcaraz poderia atingir 13.380 em caso de final ou 13.550 com o título, ampliando a diferença para um máximo teórico de 2.150 pontos sobre Sinner. É uma margem significativa, mas não intransponível diante do calendário que se aproxima.
O que observar nas próximas semanas: a capacidade de Sinner de recuperar a confiança técnica, a gestão do calendário para otimizar picos de forma e a leitura tática diante de adversários com estilos diversos nos Masters 1000. Mais do que números, trata-se da consolidação de um projeto esportivo que, na Itália contemporânea, carrega expectativas coletivas sobre identidade e futuro do tênis nacional.
Em síntese, a pausa de resultados não altera o quadro de ambição: com Indian Wells e Miami pela frente, e a primavera europeia chegando, Jannik tem janelas claras para responder em quadra e encurtar distâncias num ranking dominado por Alcaraz.






















