Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
O Setterosa voltou a impor sua autoridade nos campeonatos europeus ao derrotar a França por 24-5 em jogo realizado em Funchal. A vitória coloca a Itália nas semifinais da competição, repetindo o percurso traçado há dois anos em Eindhoven. Foi uma partida de sentido único: domínio territorial, eficácia ofensiva e, sobretudo, uma leitura coletiva do jogo que transformou oportunidades em placar elástico.
A escalada de gols teve nomes em evidência: cinco marcados por Ranalli e hat-tricks de Bettini, Papi e Tabani. Mais do que números, esses dados sinalizam um acerto de rotação e profundidade no ataque, capaz de variar soluções e manter a pressão mesmo com substituições constantes.
Do ponto de vista tático, a chave da partida foi a intensa correção defensiva. A equipe italiana reagiu com clareza à derrota anterior para a Grécia, exibindo mais agressividade e disciplina. Em situações de superioridade numérica do adversário, o Setterosa foi praticamente impecável: nove rompimentos defensivos em dez tentativas de extra-player da França. Esse índice não é apenas estatística — é reflexo de treino dedicado, organização zonal e comunicação em campo.
O resultado classifica as azzurre como segundas colocadas do Grupo E. A equipe retorna à piscina na terça-feira, às 20:15, para enfrentar a primeira do Grupo F — que será uma entre Hungria, Espanha e Holanda. O confronto direto entre as orange e as espanholas definirá o oponente, fato que adiciona um elemento de incerteza e estudo estratégico à preparação italiana.
Depois do triunfo, o técnico Carlo Silipo avaliou a partida com moderação e foco no próximo desafio: “O resultado era scontato, perché i valori sono differenti rispetto alla squadra che ci faceva male alle Olimpiadi di Parigi. Questi giorni abbiamo lavorato soprattutto sulla difesa, che è la nostra fase da migliorare. Ora abbiamo un giorno in più per poter affinare questo aspetto e disputare un’ottima semifinale, qualsiasi sarà il nostro avversario. C’è una crescita mentale, ora bisogna credere di fare qualcosa di buono. Io credo che ancora qualcosa di buono possa uscire fuori.” A fala sintetiza a abordagem técnica do staff: não romantizar a vantagem, mas consolidá-la por método.
Num plano mais amplo, a atuação do Setterosa em Funchal confirma uma tendência contemporânea do esporte italiano — a valorização de sistemas coletivos que sobrevivem à rotatividade individual. Em um país onde o futebol, o automobilismo e o ciclismo ditam narrativas públicas, a natação artística e o polo aquático feminino assumem um papel identitário: gerações, clubes e federações encontram nestas seleções um banco de memória esportiva que dialoga com modelos de formação e resistência institucional.
Para a plateia que acompanha o torneio, a partida contra a França é tanto um consolo quanto uma advertência. Consola porque a equipe respondeu com eficiência; adverte porque o campeonato adensará o nível: Espanha, Holanda e Hungria não concedem espaços e traduzem estilos distintos de jogo. A verdadeira prova, portanto, será a capacidade do conjunto italiano de transformar a boa performance em regularidade estratégica nas fases decisivas.
O próximo compromisso, marcado para terça-feira às 20:15, será menos um teste de egos e mais uma janela para medir preparo, hygiène tática e resistência psicológica — atributos que, no esporte de alto nível, costumam separar o excelente do memorável.

















