Por Otávio Marchesini – Espresso Italia
Quarenta minutos de aparente controle do Verona foram suficientes para manter a ilusão; nos cinco minutos finais do primeiro tempo o Sassuolo virou a partida e arrancou um triunfo que revela mais do que um resultado: escancara uma crise institucional e esportiva que pode empurrar os gialloblù ainda mais na direção da Série B. O jogo, que tinha contornos de prova de resistência para os visitantes, transformou-se em um retrato de desorganização tática e emocional.
Logo no início houve um susto: um lançamento longo de Bradarić encontrou Bowie, que colidiu com o goleiro Muric. O árbitro Marinelli, de Tivoli, manteve a continuidade. As equipes se estudaram: o Verona buscando a profundidade para acionara Bowie e Sarri, o Sassuolo mais calculista na construção. Aos 15 minutos, Berardi perdeu a bola, Sarri finalizou com Muric bem posicionado para defender; pouco depois, Frese arriscou em diagonal sem acertar o alvo.
A mudança de ritmo do jogo começou a ser desenhada por iniciativas do setor ofensivo neroverde. Aos 32 minutos, um movimento de contenção preparou o terreno para o momento decisivo. Aos 41′ do primeiro tempo, uma recuperação e transição rápida do Sassuolo—com atuação destacada de Laurienté—permitiu a Pinamonti chegar de apoio e, de primeiro toque, vencer Montipò para abrir o placar: 1-0.
Dois minutos depois, na sequência de um lance na área, Niassé cometeu falta sobre Berardi; pênalti assinalado e o capitão não desperdiçou ao aproveitar a rebote de Montipò para converter o segundo: 2-0 ao intervalo. O recado estava dado: enquanto os visitantes vinham esmorecendo, o time de Mister Grosso encontrava coesão e leitura coletiva para explorar as debilidades adversárias.
No segundo tempo, o Verona tentou reagir. Bradarić serviu Bowie para uma cabeçada rente à trave; um minuto depois Thorstvedt teve sua chance aérea. A resposta definitiva do Sassuolo veio aos 17′ da etapa final, num contragolpe conduzido por Berardi: corrida, frieza e o terceiro gol que selou o 3-0 e a dobradinha do capitão.
A partir daí, o time neroverde passou a gerir o resultado, mantendo pressão com sequências de escanteios e controlando momentos sem abrir espaço para inversões de jogo veronesi. O Verona ainda teve uma oportunidade cara a cara (com Sarr aos 24′ do segundo tempo), mas não conseguiu converter. Aos 40′ da etapa final, Al-Musrati foi expulso por acumulação de cartões, decretando a noite de entrega total dos visitantes.
Mais do que números, o que impressiona é o simbolismo: público de cerca de 10.000 espectadores, com 713 visitantes que acompanharam a derrocada; um clube que parece perdido em campo e fora dele, enquanto o adversário — ainda que longe da perfeição — exibiu organização coletiva e pragmatismo.
Ficha técnica
SASSUOLO (4-3-3): Muric 6; Coulibaly 5.5 (36′ pt Romagna 6.5), Walukiewicz 6 (44′ st Pedro Felipe sv), Idzes 6.5, Ulisses 6; Thorstvedt 6.5, Lipani 6.5, Koné 6.5 (29′ st Iannoni sv); Berardi 6.5, Pinamonti 6.5, Laurienté 7 (29′ st Fadera sv). Técnico: Grosso 7.
VERONA (3-5-2): Montipò 5.5; Bella-Kotchap 5, Nelsson 5, Edmundsson 5; Bradaric 5 (27′ st Oyegoke sv), Niasse 4.5, Al-Musrati 4 (expulso 40′ st), Harroui 4.5 (38′ st Suslov sv), Frese 5.5; Bowie 5 (38′ st Verme sv), Sarr 5 (27′ st Mosquera sv). Técnico: Sammarco 5.
Árbitro: Marinelli (Tivoli) 6.5. Gols: 41′ pt Pinamonti; 44′ pt e 17′ st Berardi. Observações: público ~10.000 (713 visitantes). Cartões: Coulibaly, Edmundsson, Walukiewicz; expulsão: Al-Musrati (2ª amarelo, 40′ st). Escanteios: 6-5 para o Sassuolo. Recupero: 2′; 4′.
O resultado confirma uma leitura já perceptível nas últimas rodadas: o Verona precisa urgentemente de reformas estratégicas e de caráter para evitar o colapso competitivo. O Sassuolo, por sua vez, não inventou uma nova filosofia, mas demonstrou que, com clareza de função e execução, é possível transformar equilíbrio em vitória — e, num país onde o futebol é memória coletiva, esse tipo de partida fala direto à alma dos clubes e torcedores.






















