Eugenia Roccella, ministra da Família, Natalidade e Igualdade de Oportunidades, afirmou que a proposta de unificar o prêmio entre corridas femininas e masculinas é essencial para assegurar a igualdade de oportunidades no esporte. A declaração foi dada à margem da apresentação da Coppa Italia delle Regioni 2026, promovida pela Lega del Ciclismo Professionistico, em evento realizado na sala dos grupos parlamentares da Câmara dos Deputados, em Roma.
Segundo a ministra, as diferenças técnicas e de regulamento entre provas femininas e masculinas devem ser preservadas quando necessárias para promover a modalidade feminina, mas essas diferenças não podem converter-se em desigualdade salarial ou discriminação. “A proposta de unificar o prêmio entre provas femininas e provas masculinas é fundamental. Nas competições esportivas femininas e masculinas devem permanecer diferenças, justamente para promover os esportes femininos, mas devem ser diferenças que não discriminam. Nesse sentido, o prêmio igual é o primeiro elemento que faz respeitar as igualdade de oportunidades e a participação das mulheres nas competições”, declarou a ministra.
O posicionamento de Eugenia Roccella insere-se em uma discussão mais ampla sobre financiamento, visibilidade e incentivos ao esporte feminino na Itália. A proposta de equiparação do montante de premiação visa, segundo a ministra, eliminar barreiras econômicas que afetam a participação e a profissionalização de atletas mulheres.
Na mesma ocasião, Roccella recuperou uma memória histórica para sublinhar a origem de seu compromisso com os direitos das mulheres. Referiu-se à conhecida rivalidade histórica entre Fausto Coppi e Gino Bartali e lembrou um episódio em que Coppi viveu com uma mulher casada. “Um dia chegaram as forças da ordem para prender a sua companheira porque o adultério feminino na época era punido com dois anos de prisão enquanto o masculino não era”, relatou a ministra. “Eu era uma criança e essa diferença me impressionou profundamente; a partir dali amadureceu em mim a consciência de que as mulheres devem lutar por seus direitos e, como governo, estamos fazendo isso”.
O evento de apresentação da Coppa Italia delle Regioni 2026 reuniu representantes da Lega del Ciclismo Professionistico e integrantes do ambiente parlamentar para debater calendário, logística e incentivos ao desenvolvimento regional do ciclismo. A proposta de Roccella foi recebida como um ponto de partida para conversas formais entre ministério, federações e organizadores sobre como operacionalizar a equiparação do montante de premiação nas diferentes categorias.
Do ponto de vista jornalístico, a declaração combina elementos de política pública e desportivos: marca uma intenção governamental clara de intervir em políticas que afetam a equidade no esporte e abre espaço para o cruzamento de fontes entre ministério, federações e ligas profissionais. A proposta exigirá avaliações técnicas e orçamentárias, bem como a concordância dos atores envolvidos na organização das provas.
Em termos práticos, a discussão sobre o prêmio unificado coloca sobre a mesa questões de visibilidade, patrocínio, transmissão televisiva e estrutura de apoio às atletas, componentes que terão de ser avaliados no processo de implementação para que a equiparação não seja apenas simbólica, mas efetiva na promoção da participação feminina.






















