Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
O confronto entre Pisa e Milan, pela 25ª rodada da Serie A, não terminou apenas com a vitória rossonera por 2-1 — graças ao gol decisivo de Modrić nos minutos finais —, mas com desdobramentos que ultrapassam o campo e chegam às redes sociais e às interpretações regulamentares. No centro da controvérsia está o pênalti cobrado e perdido por Niclas Fullkrug aos 56 minutos, e as reações de quem esteve em campo, em particular de Adrien Rabiot, expulso na reta final por protestos.
Nas horas seguintes ao jogo, Rabiot publicou uma história no Instagram que evidencia dois pontos: a entrada do zagueiro do Pisa, Canestrelli, na área antes da batida, e a aparente posição inadequada do goleiro Nicolas, que seria visto sem um pé sobre a linha do gol. A imagem viralizou rapidamente entre torcedores e alimentou debates sobre a validade do lance.
Do ponto de vista técnico e segundo o regulamento vigente na Serie A, a análise é mais comedida. A simples antecipação de um defensor na área não resulta automaticamente na repetição do pênalti; o VAR só determina nova cobrança se o jogador que entrou cedo teve um papel ativo sobre a jogada subsequente — por exemplo, interferindo na tentativa do batedor ou participando da sequência da cobrança. No caso em questão, Fullkrug enviou a bola diretamente para fora, sem possibilidade de rebote explorável por Canestrelli, o que afasta o fundamento para uma repetição.
Quanto à posição do goleiro Nicolas, a regulamentação também é clara: a irregularidade da posição do guarda‑metas é punida se tiver influenciado o desfecho do pênalti, nomeadamente caso o arqueiro tivesse efetuado a defesa. Uma eventual transgressão percebida pelo VAR só atribuía efeito prático se o tiro fosse defendido — circunstância que não ocorreu.
O episódio expõe, para além da aplicação estrita das leis do jogo, a fratura entre percepção pública e análise normativa. É legítimo que jogadores e clubes recorram às redes para sublinhar injustiças percebidas; é igualmente imprescindível que a interpretação das regras se mantenha ancorada em critérios objetivos. A expulsão de Rabiot, grave pelo timing e pela forma, acrescenta outra camada à história: a de como a contestação institucionalizada em campo pode assumir contornos sancionatórios que alteram não apenas um resultado imediato, mas o clima disciplinar de uma competição.
Em síntese, e sem theatrics: pelas evidências e pela letra do regulamento, o pênalti perdido por Fullkrug não exigia repetição, e a posição de Nicolas somente teria sido determinante se o chute tivesse sido defendido. O caso ilustra ainda a tensão permanente entre o impulso de protestar e a necessidade de aceitar a tecnicidade do árbitro e do VAR — um equilíbrio frágil que segue moldando a narrativa do futebol moderno.
Espresso Italia — análise e contexto além do placar.




















