Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — A recente apresentação da segunda edição do álbum Calciatrici da Panini, dedicada à temporada feminina 2025-26, ganhou atenção não apenas pelo acervo de figurine, mas por uma falha que traz implicações simbólicas e práticas para a memória esportiva.
Na sezione Nazionale do álbum houve a inversão dos nomes de duas goleiras: a Rachele Baldi, então identificada com o nome de Francesca Durante, e a Francesca Durante, nominada com o da Rachele Baldi. As jogadoras, respectivamente vinculadas a Roma e Lazio, estiveram na convocação que disputou o Europeu na Suíça, sob o comando de Andrea Soncin, elenco que chegou próximo da final e ajudou a consolidar a visibilidade do futebol feminino italiano.
O erro, à primeira vista técnico — uma troca de legendas entre duas fotografias — adquire contornos mais amplos quando se considera o papel das figurine como artefatos de memória coletiva. A Panini informou, em resposta a leitores que apontaram a falha, que fará correções em breve. Não está, no entanto, definido se haverá reimpressão em massa, reenvio de unidades revistas para colecionadores que já compraram o álbum ou se a edição com a troca permanecerá como curiosidade de produção.
Do ponto de vista editorial e histórico, esse tipo de deslize lembra que a produção de lembranças esportivas — álbuns, cards, exposições — é também uma operação de confiança: nomes, números e imagens validam carreiras e constroem narrativas públicas. Quando esses dados falham, a imagem que se transmite ao público pode ser distorcida e, em especial no contexto do futebol feminino, onde reconhecimento e documentação já lutam por espaço, o erro ganha dimensão simbólica maior.
A segunda edição de Calciatrici reúne 339 figurine, das quais 54 são de material especial, contemplando jogadoras da Serie A, Serie B e, pela primeira vez nesta coletânea, atletas da Serie C. A iniciativa representa um avanço na cobertura e na comercialização do esporte feminino na Itália, mas também sublinha o cuidado que marcas e instituições devem ter ao produzir esses bens culturais.
Para colecionadores, a situação abre duas possibilidades: a versão com erro pode se tornar uma peça de interesse por sua singularidade, ou um problema a ser corrigido pela editora para preservar a integridade do arquivo esportivo. Para o futebol feminino, a expectativa é que a Panini adote solução que respeite tanto os direitos dos consumidores quanto a memória das atletas.
Em termos práticos, resta acompanhar a posição oficial da editora sobre procedimentos de correção e eventual recolhimento/redistribuição de figurine. Enquanto isso, o incidente reforça algo que a história do esporte nos ensina: símbolos e rótulos importam, sobretudo quando se transformam em documentos que atravessam gerações.






















