Olimpia Milano conquista a Coppa Italia 2026
Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Em uma final que funcionou como síntese do que o basquete italiano representa hoje — tradição, expectativas e capacidade de reinvenção — o Olimpia Milano superou a Bertram Tortona por 85-77 e levantou a Coppa Italia edição 2026. A partida, disputada na Inalpi Arena de Turim, teve presença recorde de público (12.597 espectadores) e marcou o nono título de Coppa Italia na galeria do clube milanês.
A conquista tem contornos simbólicos: é a primeira grande taça de Peppe Poeta como treinador principal do clube — ele assumira o cargo no fim de novembro de 2025 — e serve para dissipar a chamada maldição da Inalpi Arena, palco onde a equipe havia perdido as duas finais anteriores. No palco, também esteve Ettore Messina, que acompanhou a festa ao lado do presidente Leo Dell’Orco, e que depois sorriu no abraço final com o treinador de Battipaglia.
No plano técnico, a partida foi um balanço entre explosões ofensivas e períodos de apagão. O Olimpia Milano começou feroz, impondo ritmo, pressões e proteção dentro do garrafão; a combinação de transição rápida (com Ellis e Bolmaro) e o impacto físico de Nebo sustentou o 25-11 aos 7 minutos. Armoni Brooks, decisivo desde a semifinal, entrou da rotação e, com duas triplas seguidas, levou o placar a 31-14 no 9′.
Porém, Tortona não se resignou: ao ajustar a execução, a equipe de Hubb — autor de 13 pontos no primeiro tempo — tornou o jogo mais pobre em erros adversários e mais efetivo nas jogadas. Milano perdeu a referência ofensiva no segundo quarto, cometendo oito turnovers depois de um início praticamente perfeito (zero perdas nos dez minutos iniciais). O parcial de 0-12 assinado por Hubb e companheiros reduziu a diferença ao intervalo: 47-45.
O terceiro quarto confirmou a oscilação do duelo. Milano viveu um apagão (apenas 3 pontos e 4 perdas em 5’30”), e Tortona, usando a versatilidade de Gorham, chegou a liderar (50-56 aos 25′). Foi então que a leitura de Peppe Poeta entrou em cena: a escolha por um quinteto sem um armador puro, com o equilíbrio de Leandro Bolmaro (12 pontos e 4 assistências) e a liderança externa de Marko Guduric, mudou a dinâmica.
Armoni Brooks permaneceu a peça-chave. Com 20 pontos e um impressionante 6/10 de longa distância, foi eleito MVP da competição. Guduric acrescentou 18 pontos (6/7 nos arremessos) e assumiu o papel de fechador nos momentos decisivos — incluindo a bomba do 81-72 aos 38′ — enquanto Bolmaro, com sua leitura e capacidade de transição, ajudou a controlar o ritmo nas fases finais.
Aos 35 minutos, o placar já refletia a virada construída no perímetro: 77-70, com a sequência de triples de Brooks e a consistência coletiva. Tortona desperdiçou oportunidades determinantes, tanto debaixo do aro quanto da linha de lance livre, e a liderança de Guduric selou a vitória. Placar final: 85-77 — fruto de recuperação, ajustes táticos e personalidade.
Além do troféu em si, o significado é amplo: o Olimpia Milano interrompeu um jejum de quatro anos sem a Coppa Italia e ofereceu ao país a imagem de um clube capaz de reinventar-se sob novos comandos. Para Peppe Poeta, é um batismo de fogo com sucesso; para a torcida, o alívio de voltar a erguer uma taça num templo que antes lhe foi adverso. É, sobretudo, a demonstração de como o basquete italiano combina herança e adaptação numa era em que as decisões táticas reverberam fora das quadras — na história do clube, na narrativa dos torcedores e no calendário do esporte nacional.



















