Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — Em uma tarde que misturou intensidade tática e picos de individualidade, Napoli e Roma entregaram um espetáculo no estádio Maradona, terminando em 2-2. A partida confirmou o que o calendário prometia: um duelo capaz de dizer muito sobre ambições, profundidade de elenco e gestão de momentos na Série A.
O jogo teve contornos emocionais desde cedo. Os visitantes abriram o marcador com um protagonista recorrente das últimas rodadas: Malen. A jogada de abertura do tento nasceu de um contra-ataque iniciado por Ndicka, com Pisilli a procurar profundidade; a bola entrou na área e o atacante holandês finalizeou com um direito preciso, sem chances para Milinković-Savić, aos sete minutos.
Apesar do controle territorial do Napoli, a equipe de Conte sofreu com a pressão alta dos giallorossi e viu Malen insistir como referência ofensiva. A resistência partenopea, entretanto, não demorou a render frutos: aos 40 minutos, numa ação individual, Spinazzola arriscou de fora da área e contou com uma leve desviação de Pisilli que enganou Svilar — empate de 1-1 antes do intervalo.
Na volta do vestiário, o ritmo oscilou entre intensidade e leituras táticas. A partida perdeu um pouco da verticalidade dos primeiros 45 minutos, abrindo espaço para uma disputa de paciência. Perto dos 70 minutos, uma transição bem construída lançou Wesley em velocidade; Rrahmani não recuperou e cometeu falta na área. Penalidade marcada e, com Soulé abrindo mão da cobrança, Malen não perdoou: converteu com calma e anotou seu quinto gol em tantas partidas, colocando novamente a Roma na frente.
O placar, porém, seguiria instável. Aos 82 minutos, o Napoli reagiu com o entrosamento entre jovens e reforços: o trabalho do setor ofensivo culminou no gol do empate, assinado por Alisson Santos, que antecipou qualquer tentativa de controle adversário. Nos acréscimos, Gutiérrez ainda buscou a vitória com um chute curvado que levou perigo, mas Svilar fechou a tarde com defesa firme: 2-2 final.
Do ponto de vista coletivo, o empate mantém o Napoli em uma posição de vantagem na tabela — a equipe soma 50 pontos, três à frente da Roma, que está com 47, e a apenas um do quarto colocado — mas revela fragilidades no jogo posicional e problemas de leitura quando enfrenta pressão alta e transições rápidas. Para os romanos, o desempenho confirma que as aquisições recentes, como Malen e Zaragoza, já impactam na profundidade do elenco, enquanto questões físicas (lesões sofridas por jogadores na disputa do pênalti) e a falta de peças como Dybala condicionam opções táticas.
Em aspectos humanos e simbólicos, este tipo de partida ilustra o futebol italiano contemporâneo: equipes com identidades cada vez mais híbridas — misturando treinadores tradicionais, jovens talentos e investimentos de mercado — que se confrontam em arenas carregadas de memória, como o Maradona. O resultado é um empate que preserva estatutos e deixa perguntas: como gerenciar a fadiga, como transformar aquisições de inverno em profundidade real e até que ponto um empate assim é oportunidade de correção ou sintoma de limitação estrutural.
Ficha rápida: Napoli 2 (Spinazzola, Alisson Santos) — Roma 2 (Malen 2). Público e atmosfera típicos de um grande confronto; decisões individuais e coletivas que prometem repercussão nas próximas rodadas da Série A.






















