Motodays 2026: Giacomo Agostini no palco de Roma inaugura a temporada das duas rodas
Por Otávio Marchesini — Espresso Italia
Em um país onde a moto é tanto instrumento de mobilidade quanto documento de memória coletiva, a presença de Giacomo Agostini em Motodays 2026 assume mais do que o valor de uma aparição de celebridade: é um gesto simbólico que liga passado e presente da cultura motociclística europeia. No sábado, 7 de março, às 12h, o maior campeão da história do Motomondiale subirá ao palco principal da feira na Fiera Roma para conversar com público e convidados, num dos momentos mais aguardados da edição.
Motodays 2026, que abre hoje e se estende até domingo, 8 de março, reafirma sua função de plataforma comercial e de comunidade em uma metrópole que, por número de veículos emplacados, representa hoje o mercado urbano mais relevante da Europa. A feira mobiliza 18 marcas nas provas dinâmicas, mais de 25 marcas distribuídas por cinco pavilhões e amplas áreas externas destinadas a demo ride tanto em asfalto quanto em off-road.
Entre os participantes de maior destaque estão fabricantes que desenham o presente e o futuro do setor: Honda — com pavilhão exclusivo —, Ducati com uma frota de 25 motos, Yamaha com ensaios estruturados em estrada, e ainda Triumph, Aprilia, Moto Guzzi, Kawasaki, KTM, Royal Enfield, MV Agusta, Indian, Zontes e CF Moto. A reunião dessas marcas confirma Motodays como um termômetro comercial e tecnológico para o Centro-Sul da Itália.
Uma das escolhas editoriais mais claras da edição é o foco nos jovens: o claim “Young Riders, You’re Welcome!” não é apenas slogan. No programa há uma Young Academy com circuito interno e motos Ohvale, a participação do ex-piloto Simone Corsi, a arena elétrica Talaria Ride Life, cursos de pilotagem segura para Under 30 e uma ação de edutainment destinada a mais de 3.000 estudantes em parceria com instituições e operadores de segurança viária. Trata-se de um esforço de formação que dialoga com as necessidades de renovação do público e com a transição tecnológica do setor.
O cardápio da feira segue plural: o programa off-road confirma provas como a Massenzio Battle, a área de turismo “Mediterranean, Roads through History” valoriza roteiros e patrimônios, e a seção Classic in Roma dedica-se à memória, celebrando inclusive os 80 anos da Vespa. Há ainda espaço para gaming e um Creative Lab pensado para content creators — sinal de que a indústria busca narrativas novas além da vitrine técnica.
No palco central do Pavilhão 4, no sábado, será entregue o Prêmio Moto Europa, organizado pela UIGA — Unione Italiana Giornalisti Automotive. A premiação escolhe, entre cinco finalistas exibidas na feira, a moto mais relevante para o mercado europeu, combinando voto popular e decisão de jornalistas especializados. Esse cruzamento entre público e crítica é exemplar: traduz a feira em espaço tanto mercadológico quanto de formação de opiniões.
Motodays 2026, portanto, não é apenas a abertura de calendário. É um ponto de encontro entre memória e inovação, entre economia e comunidade. A presença de Agostini reforça essa leitura: a feira olha para o futuro reconhecendo a força das suas referências históricas — e faz disso parte da estratégia para renovar audiências e mercados.






















