Faleceu Nicolas Giani, aos 39 anos. Ícone da recente história da SPAL, Giani era lembrado não apenas pelos números — mais de cem partidas e oito gols com a camisa ferrarese —, mas sobretudo pela representação de uma reconstrução esportiva e simbólica que devolveu a cidade de Ferrara a um palco que não ocupava havia quase meio século.
A notícia da morte, comunicada na noite de segunda-feira, 2 de fevereiro, foi oficialmente divulgada pela Ars et Labor Ferrara, a «nova» SPAL nascida após o colapso administrativo do clube histórico. Em nota, a entidade afirmou: “Ferrara Calcio Ars et Labor se une ao sofrimento da família do inesquecível ex-capitão Nicolas Giani, que nos deixou com apenas 39 anos. As batalhas, as alegrias, a dupla promoção da Série C à Série A, sempre com a braçadeira a defender as nossas cores. Adeus Nicolas, Ferrara nunca te esquecerá”.
Giani lutava havia algum tempo contra uma doença cuja gravidade já havia mobilizado a torcida. Há poucas semanas, ultras ligados ao movimento que acompanhou a ascensão do clube colocaram uma faixa em sua homenagem, gesto que refletia a íntima relação entre atleta e comunidade local: não se tratava apenas de um capitão dentro de campo, mas de um símbolo coletivo.
Nascido em Como, em 1986, Nicolas Giani iniciou sua trajetória nas categorias de base do U.S. Cassina Rizzardi e rapidamente foi para a Inter, que o cedeu em seguida a empréstimos para clubes como Cremonese e Pro Patria. A carreira profissional ganhou contornos mais estáveis no Vicenza, onde jogou como zagueiro e, sob o comando de Gregucci, foi deslocado para a lateral — uma adaptação tática que evidenciou sua versatilidade e disponibilidade ao grupo.
Após uma breve passagem pelo Perugia em 2013, Giani desembarcou em Ferrara em janeiro de 2014, quando a SPAL ainda disputava a Segunda Divisão da Lega Pro. A partir dali começou uma trajetória que pertence tanto ao jogador quanto ao imaginário coletivo da cidade: a nomeação como capitão na temporada seguinte, a remontada no campeonato que culminou com o título do Girone B da Lega Pro em 2015–2016 e, surpreendentemente, a conquista da Série B em 18 de maio de 2017, devolvendo a SPAL à Série A após 49 anos.
O percurso de Giani seguiu depois com a assinatura de um contrato de dois anos com o Spezia, em 30 de junho de 2017, e passagens por Feralpisalò — contratado em janeiro de 2019 com vínculo até junho de 2021 — e, por fim, o Desenzano Calvina, clube de Série D onde realizou sua última temporada, em 2021/22.
Para além das estatísticas, o legado de Nicolas Giani está na maneira como encarnou uma fase de reinvenção para a SPAL e para Ferrara: capitão em tempos de reconstrução, referência para torcedores e colegas, símbolo de que times de província podem reescrever narrativas centenárias do futebol italiano. A sua morte interrompe uma trajetória pessoal e coletiva que se entrelaça com a memória recente do futebol italiano menor — aquele que, por vezes, revela os contornos mais autênticos da relação entre cidade, clube e identidade.
Expressamos nossa solidariedade à família, aos companheiros e aos torcedores que hoje lamentam uma perda que ultrapassa o campo: partiu um jogador, permaneceu uma história.






















