Abrem hoje no Forum de Assago — renomeado para os Jogos como Milano Ice Skating Arena — as competições de pattinaggio artístico dos Jogos de Inverno. Em um formato que mistura espetáculo e estratégia, o team event, introduzido em Sochi 2014, volta a colocar em confronto as dez nações mais fortes em todas as disciplinas: dança no gelo, pares, solteiro feminino e solteiro masculino. Essa prova coletiva não é apenas uma somatória de resultados; é um retrato das estruturas federativas e das prioridades de formação de cada país.
Depois da primeira fase, que hoje inclui a dança rítmica e os três programas curtos do artístico, as cinco seleções com mais pontos avançam aos programas livres, agendados para amanhã e domingo à noite. Entre as qualificadas estão Estados Unidos (superfavoritos ao ouro), Japão (provável prata), França, Grã‑Bretanha, Canadá, Geórgia, China, Polônia, Coreia do Sul e, naturalmente, a anfitriã Itália.
Os italianos, que lamentaram por muito pouco a medalha na estreia do team event em 2014, apresentam uma delegação que mescla tradição e consistência técnica. Na dança no gelo, os veteranos Charlene Guignard e Marco Fabbri serão os primeiros representantes da casa a pisar o gelo já na prova de dança rítmica — um aperitivo para a disputa que se prolongará até segunda‑feira. Na categoria de pares, a dupla formada por Niccolò Macii e Sara Conti chega com credenciais sólidas: bronzes mundiais em 2023 e 2025 e o vice‑lugar no último ISU Grand Prix Final de dezembro.
No feminino individual, a Itália aposta em Lara Naki Gutmann, que sobe ao gelo ao som da trilha da série sobre a primeira advogada italiana, Lidia Poët — escolha simbólica que mistura identidade cultural e performance artística. A programação prevê retorno ao gelo amanhã às 19h45 com o curto masculino, seguido pela dança livre; o fechamento do ciclo competitivo será no domingo à noite, com os três programas livres do artístico que definirão as classificações finais.
Além do patinação, o dia registra presença italiana também no curling e no conjunto de provas alpinas em Cortina, onde cerca de mil atletas desfilam entre Corso Italia e Piazza Angelo Dibona — aproximadamente quarenta deles compõem a delegação azzurra nas disciplinas das Dolomitas, do esqui alpino ao skeleton.
Não faltam, porém, tensões extradesportivas. A participação anunciada do rapper milanês de origem tunisina Ghali suscitou debate após postagem em que declara que não entoará o hino nacional, alimentando discussões sobre identidade, representação e o papel dos eventos de massa como palcos políticos. É um lembrete de que os Jogos é também um território onde símbolos e memórias coletivas são negociados.
Como observador que privilegia contexto e permanência, registro que esta abertura de Milano‑Cortina é tanto um campeonato de atletas quanto um campo de prova para instituições: federações que consolidam talentos, cidades que reescrevem suas paisagens e públicos que redefinem o que esperam de um espetáculo esportivo no século XXI.






















