Por Otávio Marchesini — A Virtus apresentou uma resposta necessária à derrota na Coppa Italia ao superar o Barcellona por 85-80 na EuroLiga, em partida disputada na Arena. Em termos estritamente classificatórios, com a hipótese de play-in já muito comprometida, o resultado não reorganiza o destino continental dos bianconeri; porém, o triunfo tem um valor simbólico e psicológico relevante para a reta final da temporada.
O encontro teve contornos dramáticos e elementos de narrativa que interessam ao observador que procura além das estatísticas: a rodada devolveu ao público a dimensão do jogo como palco de reafirmação coletiva e da responsabilidade institucional. Antes da bola ao alto, o diretor Massimo Zanetti homenageou o grande ex da casa, Tornike Shengelia, uma lembrança que acentuou o caráter ritual da noite.
Na primeira etapa o Barcellona impôs seu ritmo. O georgiano Shengelia produziu 9 pontos e 5 rebotes num começo incisivo, enquanto o outro ex-virtussino, Punter, acrescentou 12 pontos na fase inicial, abrindo um fosso que levou os visitantes a fechar o primeiro quarto em 28-20. A Virtus, por sua vez, encontrou na vontade de Edwards — 12 pontos naquele início — a faísca necessária para não deixar a partida na mão dos catalães.
No segundo quarto, a leitura tática dos bianconeri mudou o tom: maior agressividade defensiva e uma distribuição ofensiva que privilegiou o retorno de Smailagic. Embora o montenegrino tivesse cometido dois faltas nos primeiros 23 segundos, reagiu com personalidade e, junto a um inspirado Vildoza, ajudou a operação de recuperação. Um parcial de 27-15 na segunda fração colocou a equipe de Bologna à frente no intervalo, 47-43.
A vantagem cresceu no terceiro período, quando a Virtus atrelou defesas eficazes a transições rápidas: com trios como Vildoza, Diouf e Jallow em evidência, os locais chegaram a +12 (58-46). O Barcellona reagiu por meio de Punter e Shengelia, que aos poucos reduziram o gap, mas nunca conseguiram estabilidade defensiva — um problema que se repetiu na etapa final.
O último quarto foi um exercício de tensão. O Barcelona, dotado de talento individual, tentou se apoiar nos atletas mais experientes para virar o placar, aproximando-se até a três pontos a pouco mais de três minutos do fim. Nessa fase, Shengelia chegou a roubar a bola e reduzir a diferença para um ponto, forçando o nervo da partida. Contudo, a Virtus manteve a compostura coletiva, administrou o cronômetro e garantiu a vitória por 85-80.
Do ponto de vista técnico, a leitura que fica é dupla: de um lado, a confirmação de que a Virtus ainda sustenta recursos táticos e caráter coletivo capazes de neutralizar equipes com talentos superiores individualmente; de outro, uma constatação incômoda para o Barcellona, cuja vulnerabilidade defensiva transforma potencial em instabilidade.
Para a cidade e para o clube, a vitória tem um efeito mobilizador. Em um calendário que mistura legado esportivo e desafios econômicos, vitórias como esta ajudam a preservar a confiança do grupo e a narrativa clubista — elementos essenciais quando a temporada passa de prova esportiva a batalha por identidade e sobrevivência institucional.
Estatísticas individuais da partida destacam Edwards com 22 pontos e Smailagic com 19; no Barcelona, Punter anotou 27 e Shengelia 16. Mais do que números, porém, a noite confirmou uma ideia central: o esporte, quando bem interpretado, é um espelho das prioridades coletivas — e a Virtus soube, nesta noite, responder ao chamado.






















