Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
O Torino sofreu mais uma derrota no Olimpico e viu o Bologna triunfar por 2 a 1 em partida decidida na etapa final. O duelo, que condensou reações e contrariedades típicas de uma temporada irregular, teve momentos decisivos em apenas 21 minutos: um autogol seguido de um empate e, por fim, a obra-prima de Castro, assinando o que a reportagem italiana definiu como a sétima maravilha do campeonato.
A oscilação do time granata ganhou um comentário público do presidente Urbano Cairo, que não escondeu a frustração: «Não vi vontade de ganhar, precisamos trabalhar esse aspecto». A frase sintetiza uma preocupação maior: não apenas a sequência de resultados, mas a cultura competitiva que circunda o clube, em um momento em que a torcida organizada permanece ausente das arquibancadas e o ambiente se fragmenta.
O técnico Baroni, embora tenha reconhecido a falha coletiva, recebeu a declaração de confiança da direção. «A equipe sofreu com o ambiente, mas não buscamos desculpas», disse, admitindo que a exibição ficou aquém do esperado: «Pensávamos viver um campeonato diferente».
Ao contrário, o comandante do Bologna, Italiano, encontrou motivos para alento. Após uma série de derrotas, a vitória serviu para recompor ânimos: «Surgiu nosso orgulho, depois de várias derrotas injustas. Agora precisamos parar a sangria de pontos no Dall’Ara».
O primeiro tempo foi travado, com poucas emoções e erros técnicos. O Torino não causou perigo real até o intervalo, limitando-se a uma cabeçada de Maripan neutralizada por Miranda. Do outro lado, o Bologna explorou as laterais com Bernardeschi e Rowe: o primeiro exigiu boa defesa de Paleari, o segundo criou chances claras e chegou a acertar o poste.
Na etapa final, aos 49 minutos, uma transição do Bologna acabou produzindo o primeiro gol: Rowe cruzou e, com um desvio de Vlasic, a jogada ganhou corpo suficiente para surpreender a defesa e a saída de Paleari. O susto teve resposta dos donos da casa: aos 62 minutos, no primeiro e segundo arremessos em direção ao gol, veio o empate. O lance veio em sequência de uma fuga na linha do impedimento do substituto Zapata, cujo cruzamento foi finalizado por Vlasic — que no espaço de poucos minutos passou do infortúnio ao êxito.
O equilíbrio, porém, durou apenas oito minutos. Aos 70, Bernardeschi abriu para Castro, que fez uma parada de classe, ajeitou e marcou com um toque de fino recorte, deixando para trás o defensor Marianucci e superando Paleari com um chute colocado. Após o apito final, Italiano celebrou a entrega: «Santi nos deu três pontos fundamentais». O capitão Zapata reforçou o compromisso: «Não vamos desistir, continuaremos a lutar».
Além da narrativa do jogo, o episódio expõe duas questões maiores. Primeiro, a fragilidade do Torino diante da pressão — interna e externa — e a necessidade de um trabalho que recupere convicção e maturidade. Segundo, a recuperação do Bologna em termos psicológicos: ganhar fora, em ambiente adverso e com uma atuação pragmática, é sinal de resiliência.
O estádio, com setores esvaziados e um núcleo de contestadores presente em tribuna, foi também um espelho do momento político-clubístico: o futebol que se joga em campo reverbera debates sobre representatividade, identidade e estabilidade institucional. Para o Torino, a derrota reabre uma temporada com altos e baixos; para o Bologna, a vitória é um ponto de apoio para retomar confiança.
Ficha técnica:
Torino 1 x 2 Bologna — gols: Vlasic (Torino) 62′ (tap-in), Rowe 49′ (desvio) — Castro 70′ (Bologna).
Treinadores: Baroni (Torino), Italiano (Bologna). Declarações de Urbano Cairo após o jogo.
15 de fevereiro de 2026






















