Em Tesero, no vale de Fiemme, um problema de poluição sonora e luminosa reacende discussões sobre o impacto das grandes competições no tecido urbano e ambiental das pequenas comunidades. Moradores que vivem nas imediações do amplo estacionamento destinado a voluntários das Olimpíadas de Inverno Milano-Cortina denunciam que torres de iluminação alimentadas por geradores a diesel permanecem ligadas mesmo quando o espaço está praticamente vazio, gerando ruído contínuo, claridade intensa e consumo excessivo de combustível.
Segundo o prefeito de Tesero, Massimo Deflorian, a situação não surgiu com o início das provas, mas já era presente antes da inauguração dos jogos. ‘Levantamos imediatamente a questão e pedimos intervenções à empresa responsável pela montagem dos estacionamentos’, explica o chefe do município. Ainda segundo o prefeito, o tema foi tratado com um representante da GL, o general contractor encarregado das estruturas temporárias para Milano-Cortina, e também com o Cluster General Manager que responde pelo estádio do Lago di Tesero.
As autoridades locais foram informadas de que a ativação inicial do sistema tinha fins de verificação e que, posteriormente, por razões de segurança do local, optou-se por não desligar as torres. ‘Não tínhamos o poder de questionar a sua procedura, a poucos dias do início’, lamenta Deflorian, reconhecendo a limitação administrativa diante das decisões do organizador.
Na prática, moradores relatam noites interrompidas pelo zumbido dos geradores e pela claridade que invade residências próximas. O estacionamento funciona sobretudo nos dias de competição; nos períodos em que fica desocupado, contudo, as luzes continuam acesas para garantir o controle visual do espaço, segundo a resposta recebida pelas autoridades locais. Essa permanência do sistema ativo tem alimentado a frustração de quem vê a tranquilidade diária comprometida sem uma justificativa local clara.
As críticas têm repercussão também no campo ambiental: associações e ativistas locais questionam a necessidade de recorrer a fontes dísel e pedem medidas para reduzir o impacto — da diminuição do uso de geradores ao aumento da separação e gestão de resíduos nas áreas de apoio. Em paralelo, há quem aponte para a oportunidade perdida de usar soluções mais sustentáveis e silenciadas, especialmente em um evento que se vende como ligado ao território alpino e à sua preservação.
O episódio de Tesero traz à tona uma tensão recorrente em grandes eventos: a coexistência entre logística operacional e o direito cotidiano das comunidades à serenidade. Estádios e estruturas temporárias não são apenas obras técnicas; são elementos que produzem efeitos sociais imediatos, muitas vezes concentrados em municípios pequenos que recebem a infra-estrutura de fora. A gestão dessas tensões exige, além de protocolos de segurança, sensibilidade política e alternativas técnicas capazes de reduzir ruído, luz e consumo de combustível.
Enquanto durar a janela olímpica, a perspectiva dos residentes é de convivência com ruído e claridade. ‘Sei que para muitos a vida perto dali ficou mais difícil: com as luzes e o zumbido não conseguem descansar e a tranquilidade de casa foi perdida’, afirma o prefeito Deflorian, condicionando a expectativa à duração dos jogos e à dificuldade de intervenção em procedimentos já definidos pelos organizadores.






















