Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
O ciclo que se aproxima é exigente não apenas na quantidade de jogos, mas na capacidade de replicar o desempenho físico e mental que o time exibiu desde o início de 2026. Mesmo na derrota contra o Palermo, os biancorossi produziram futebol agressivo, criaram ocasiões e demonstraram espírito competitivo. É essa continuidade que o treinador Fabrizio Castori quer preservar.
Castori resumiu o momento com franqueza: a equipe vive uma fase de rendimento importante, apoiada numa condição sólida também dal punto di vista mentale. O grupo trabalha com intensidade e continuidade, mantendo-volume de treinos significativos; o objetivo é seguir nesta trilha evitando lesões e quedas físicas que já impactaram campanhas anteriores.
O contexto ajuda a explicar o otimismo controlado: após a pausa de Ano Novo, o Südtirol teve um período com poucos jogos seguidos — oito partidas em 42 dias, com apenas uma rodada no meio de semana — o que permitiu recuperar-se e manter o nível. Em março, porém, a rotina muda radicalmente: as próximas seis partidas serão disputadas em apenas 22 dias, divididas em dois blocos que testarão a capacidade de recuperação e a gestão do elenco.
O calendário inicial do mês indica Venezia em Bolzano no sábado de abertura, seguido por uma deslocação a Reggiana na quarta-feira 3 e um retorno ao Druso no sábado 7 para enfrentar a Entella. Depois de uma semana livre, a segunda sequência começa com o Pescara no Druso no domingo 15 e segue com a viagem a Avellino na quarta-feira 18. São jogos que exigem atenção tática e profunda variedade no plantel.
O rendimento recente confirma que a equipe pode somar: houve pontos importantes como o empate com o Monza (0-0), uma prova de caráter contra uma candidata à promoção, e vitórias significativas que injetaram confiança, como o triunfo por 2-1 no San Nicola. Ainda assim, a temporada é feita de pequenos detalhes — substituições oportunas, gestão de cargas e decisões técnicas que, ao final, determinam se o objetivo imediato (salvezza) será alcançado e se haverá margem para ambicionar os playoff.
Do ponto de vista institucional e cultural, o Südtirol ocupa um papel singular: uma região que não apenas vive o futebol como espetáculo, mas o vê como referente de identidade. Em Maso Ronco, poucos falam de playoffs em voz alta; preferem proteger o progresso, consolidar a base e deixar que os resultados falem. É uma postura prudente e coerente com uma história que valoriza persistência sobre efemeridade.
Para Castori e sua equipe, março não será apenas um calendário de partidas: será um termômetro da maturidade coletiva. Gerir minutos, preservar atletas e manter a mesma qualidade de esforço em jogos encadeados é a condição para que, ao final do mês, o rumor do sonho possa se transformar em projeto concreto sem que a salvezza seja posta em risco.
O desafio é, portanto, duplo: ganhar pontos e demonstrar que a estrutura — física, mental e tática — suporta a pressão dos dias seguidos. Se isso acontecer, o clube terá instalado na temporada uma narrativa de conquista gradual, compatível com a identidade e as ambições do Südtirol.






















