Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes da Espresso Italia
Após a eliminatória que escapou por pouco diante do Galatasaray, a propriedade da Juventus foi explícita: a caminhada seguirá com Spalletti no comando. A decisão, anunciada em diferentes vozes institucionais nas últimas horas, não é apenas um voto de confiança no trabalho atual — é também o ponto de partida para uma provável e ampla reestruturação do plantel no próximo mercado.
No Business of Football Summit do Financial Times, Damien Comolli defendeu o caminho da estabilidade: «A equipe está se unindo graças ao trabalho de Spalletti; precisamos de continuidade para ter sucesso», disse o diretor executivo, citando a necessidade de manter treinador e estratégia após uma década marcada por mudanças frequentes na beira do gramado.
O recado ecoou de dentro do Allianz Stadium: Giorgio Chiellini, ainda no vestiário na noite do jogo, foi taxativo sobre o futuro do treinador — «nenhuma dúvida, Luciano sempre foi prioridade» — e abriu espaço para um tempo de diálogo e planejamento nas próximas semanas. A mensagem é clara: o projeto técnico segue, agora com a tarefa de compor um elenco com peças mais compatíveis com as ideias do treinador.
A direção esportiva, reforçada por nomes como o diretor-geral Marco Ottoni e o diretor técnico François Modesto, já trabalha com metas concretas: o objetivo é renovar entre seis e sete jogadores na janela de verão. Após um mercado de inverno discreto — e a intenção explícita de evitar desperdício de recursos — a Juventus quer transformar a verba disponível em contratações que ofereçam tanto aplicação tática quanto retorno esportivo.
No centro da análise está a frente de ataque. A trajetória recente do clube, inclusive no confronto europeu com os turcos, revelou um problema recorrente: os gols não saem dos atacantes. Contra o Galatasaray, os gols vieram de meio-campistas e até de zagueiros. É sintomático que nomes como Lois Openda ainda não tenham correspondido e que Jonathan David, embora qualificado no jogo de posição, não tenha traduzido isso em produtividade de rede. A exigência de Spalletti será, portanto, por atletas com presença física, intensidade e poder de finalização.
Além do setor ofensivo, há reflexões sobre a utilidade e a confiança em peças como Zhegrova e Cambiaso — este último, se plenamente convencido, é um dos mais adaptáveis ao futebol do treinador — e sobre a avaliação do sistema de guarda-redes. A situação contratual de Dusan Vlahovic, em fim de vínculo e ainda sem desfecho, adiciona incerteza ao planejamento: se sair, a necessidade por alternativas ofensivas se torna imperativa.
Desde que assumiu a equipe em andamento, Spalletti vinha repetindo que aceitaria o grupo caso permanecesse, mas também é patente que seu mérito técnico tem sido compensar lacunas estruturais e, ao mesmo tempo, reabilitar jogadores: casos como o de Locatelli demonstram ganho de desempenho com orientação clara. Agora, com a temporada prestes a entrar em outra fase, a exigência do treinador por peças específicas para o seu modelo de jogo será o eixo do trabalho diretivo.
Às vésperas do mercado de verão, a Juventus vive um momento de inflexão: a manutenção da liderança técnica aponta para vontade de estabilidade, mas o verdadeiro teste será a capacidade do clube em transformar direção e recursos em um elenco coerente com uma identidade tática definida — e em consequência, em resultados que devolvam à torcida a sensação de rumo e projeto.






















