Por Otávio Marchesini — Espresso Italia
A primeira semana de competições na Conca d’Ampezzo ofereceu um balanço que vai além dos pódios imediatos: a pista Eugenio Monti, no Sliding Centre di Cortina, confirma-se como um verdadeiro celeiro de resultados para o slittino italiano e uma infraestrutura capaz de modelar o futuro das disciplinas do gelo no país.
No encerramento da sessão inicial do programa olímpico, em 12 de fevereiro, a Itália conquistou o bronze na staffetta mista. A prova, disputada em quatro mangas, teve a sequência de descidas de Verena Hofer, a dupla Rieder–Kainzwaldner, Fischnaller e, por fim, o tandem Voetter–Oberhofer. A dinâmica da disputa foi intensificada por um público numeroso disposto nas rampas e curvas do traçado, que reagia às marcações de tempo exibidas nos maxischerms ao longo do percurso.
O resultado elevou o balanço cortinese: quatro medalhas no slittino, entre as quais se destacam dois belíssimos ouros no doppio maschile obtidos na quarta-feira — acertos que chegaram com pouca diferença de tempo entre si — e o bronze conquistado por Fischnaller alguns dias antes. O pódio da staffetta viu a Alemanha levar o ouro, a Áustria o prata e a equipe italiana festejar o terceiro lugar junto à comissão técnica e a uma presença simbólica da equipe masculina de curling, que subiu à zona de chegada para celebrar.
As competições seguem agora com o skeleton, disciplina em que os atletas descem de barriga para baixo. A final de sexta-feira, 13 de fevereiro, marcada para as 21h05, contou com a participação de Mattia Gaspari, o atleta cortinese que, após as duas primeiras descidas, ocupava a 12ª posição provisória. Já as provas de bob começariam no domingo, estendendo as disputas até 22 de fevereiro — data que encerra as Olimpíadas.
Mais do que resultados imediatos, o que interessa ao olhar que procura sinais de continuidade é a consolidação de um legado. A obra, cujo custo estimado rondou os 120 milhões, suscitou desde o início o debate sobre sua viabilidade pós-Jogos — o espectro de instalações olímpicas abandonadas é um nó histórico da agenda esportiva europeia. Mas, na avaliação de quem conhece o ecossistema do deslizamento, as perspectivas são sólidas.
Armin Zoeggeler, lenda do slittino e atual técnico da seleção italiana, foi enfático: “Cortina não fará a mesma sorte de Cesana”. O raciocínio do ex-atleta não é apenas retórico: com dois ouros conquistados na pista, a pressão política e institucional para manter a instalação ativa torna-se tangível. A Federação Internacional já teria confirmado que a pista sediará etapas da Coppa del Mondo anualmente até os próximos Jogos, além de receber as Olimpíadas da Juventude de 2028, o que assegura um calendário competitivo regular.
Para os especialistas italianos do deslizamento, dispor de uma pista em casa representa uma mudança estrutural. Depois de anos de peregrinações para treinar e competir no exterior, ter um centro de alto nível em território nacional simplifica o ciclo de formação, reduz custos logísticos e fortalece identidades regionais ligadas ao esporte de inverno — dimensões que interessam tanto ao desenvolvimento de talentos quanto à memória coletiva do esporte italiano.
Em termos estritamente esportivos, permanecerá interessante acompanhar a evolução dos atletas nas provas subsequentes: se o slittino já deu mostras de vitalidade, o skeleton e o bob serão testes cruciais para medir a profundidade do impacto do Sliding Centre di Cortina na próxima década.
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