Em mais uma exibição que mistura técnica e teatralidade, Pietro Sighel voltou a ser protagonista nas pistas de gelo de Milano Cortina 2026. Nesta segunda-feira, 16 de fevereiro, o atleta italiano — já ouro olímpico na staffetta mista — protagonizou um episódio curioso durante as baterias dos 500 metros do short track: após um toque a poucos metros da linha de chegada, cortou a meta de costas, gesto que remeteu à celebração anterior da equipe italiana.
A prova foi de alta tensão desde o início. Sighel travou um duelo pelo primeiro lugar que se manteve até a aproximação do final, quando foi atingido pelo letão Reinis Berzins, por sua vez abalroado pelo turco Furkan Akar. Ainda que o contato pudesse ter comprometido a corrida, Sighel conseguiu manter-se em pé sobre os patins, virou o corpo e cruzou o tapete de costas — uma imagem que rapidamente ganhou as galerias e as redes sociais.
Não se tratou, desta vez, de uma escolha comemorativa, como havia sido na semana anterior, quando a Itália venceu a staffetta mista e o gesto de Sighel também chamou a atenção. Aqui, a manobra foi consequência direta do incidente na pista, e tornou-se metáfora do short track contemporâneo: esporte de velocidades mínimas e decisões instantâneas, em que a técnica precisa conviver com a imprevisibilidade do confronto físico.
Além de Sighel, seguiram aos quartos de final outros dois italianos: o jovem Lorenzo Previtali, de 20 anos, em sua estreia olímpica, e Thomas Nadalini, integrante do time que conquistou o ouro na semana passada. A presença destes nomes confirma uma profundidade de equipe que é parte da história recente do patinagem italiana: não apenas uma geração de talentos isolados, mas um coletivo capaz de alternar experiência e renovação.
Os olhos agora se voltam para quarta-feira, 18 de fevereiro, quando estarão programados os quartos, semifinais e finais dos 500 metros masculinos de short track. Será uma oportunidade para aferir se o episódio do calor da bateria terá desdobramentos técnicos ou psicológicos na reta final da prova — e se Sighel, que já soube transformar um gesto em símbolo, repetirá outro capítulo memorável desta Olimpíada.
Do ponto de vista simbólico, a imagem de um campeão cruzando a linha de costas na arena de Milano Cortina é mais do que anedota: é sinal de um esporte que se manifesta como espetáculo coletivo, palco onde atletas, público e narrativa olímpica se encontram. Para a Itália, trata-se da confirmação de uma identidade competitiva — e, ao mesmo tempo, de um lembrete sobre a fragilidade e a imprevisibilidade que tornam o short track tão fascinante.






















