Uma virada fundada em reação rápida e precisão nas peças ofensivas definiu o confronto entre Sassuolo e Udinese em um fim de tarde que realçou a volatilidade tática e emocional da Serie A. Depois de um primeiro tempo truncado, marcado pelo gol inaugural da equipe de casa, os visitantes reagiram com contundência: 2 a 1, gols de Laurienté e Pinamonti, que deram ao Sassuolo um resultado que valeu a recuperação do baque sofrido diante do Inter.
O jogo, realizado em 15 de fevereiro de 2026, começou com escolhas claras de ambos os treinadores. Kosta Runjaic apostou em Zaniolo com Atta ao lado, buscando mobilidade e presença no último terço; do outro lado, Fabio Grosso alinhou um tridente que tinha em Berardi, Laurienté e Pinamonti a referência ofensiva. No primeiro tempo, as oportunidades foram escassas: o único lance de real perigo pelos visitantes nasceu de um passe de Berardi para Thorstvedt, que entrou na área e cruzou com perigo — Pinamonti não alcançou por centímetros.
Ao contrário do que a superioridade territorial sugeria, foi a Udinese que abriu o placar: Solet recuperou a bola, dialogou com Ekkelenkamp e finalizou para superar Muric. A vantagem parecia refletir a frustração do segundo tempo morno dos visitantes, que retornaram aos vestiários atrás no marcador.
Tudo mudou na etapa final. A intensidade do Sassuolo foi outra: em uma jogada construída com inteligência, Pinamonti ofereceu um toque de calcanhar — belo e mortal — para Laurienté empatar. Não havia passado um minuto quando o próprio Pinamonti cabeceou para o segundo, a partir de um cruzamento preciso de Garcia. Dois minutos, duas ações que desnortearam a defesa friulana.
Houve ainda um lance polêmico: Bertola chegou a balançar as redes para a Udinese, mas o VAR anulou o gol por toque de mão. A intervenção eletrônica, decisiva, manteve o placar em 2 a 1 e selou a vitória do Sassuolo, que alcançou 32 pontos no campeonato, igualando a pontuação do adversário.
Mais do que o resultado, a partida oferece recortes interessantes para análise: a capacidade de recuperação de um clube que vinha de uma derrota pesada por 5-0 contra o Inter; a funcionalidade do esquema de Grosso, que soube reinventar movimentos dos atacantes no intervalo; e o papel crescente do VAR em dirimir — ou amplificar — controvérsias que afetam não apenas uma partida, mas narrativas de temporada.
Do ponto de vista cultural, jogos como este confirmam a natureza dual do futebol italiano contemporâneo: tradição tática e necessidade de respostas rápidas a choques de confiança. Em campo, o Sassuolo mostrou por que, apesar das limitações orçamentárias, sua identidade ofensiva o mantém como ator relevante na engrenagem da liga.
Dados do jogo (resumo): Udinese 1 (Solet) x Sassuolo 2 (Laurienté, Pinamonti). Técnico: Runjaic (Udinese), Grosso (Sassuolo). Anulação de gol da Udinese por VAR (toque de mão de Bertola).
15 de fevereiro de 2026





















