TRIESTE, 01 de março de 2026 — Em coletiva realizada na véspera do confronto com a Fiorentina, o técnico do Udinese, Kosta Runjaic, foi direto ao ponto: é preciso intensidade e também um pouco de sorte para transformar trabalho em resultados.
“Amanhã teremos de colocar a intensidade correta e ir buscar a sorte. É um fator importante no futebol: se se trabalha bem, pode ser que a sorte se coloque do nosso lado.” A frase, proferida com concisão, traduziu a leitura do treinador sobre um ciclo em que a equipe não tem colhido o que produz: “Nas últimas partidas não tivemos bons resultados, mas os adversários nem sempre jogaram melhor do que nós.”
Runjaic avaliou a Fiorentina como um oponente em forma e disciplinado: “É uma equipa que está a treinar com aplicação e que se encontra em boas condições físicas.” Esse reconhecimento, feito com franqueza, serve também para sublinhar a necessidade de resposta imediata por parte do Udinese.
Sobre o momento do seu time, o técnico não escondeu a frustração pelo aproveitamento ofensivo: “Ao time tem faltado decisão em frente à baliza e alguns erros têm sido determinantes. Três derrotas consecutivas não são agradáveis; precisamos de pontos e faremos tudo para conquistá‑los.” A objetividade das observações revela uma abordagem pragmática: diagnosticar, ajustar e exigir empenho.
Runjaic mostrou-se, contudo, confiante na estrutura: “Há bases para fazer uma grande prestação e conseguir um resultado positivo.” Essa confiança não é apenas retórica — é a aposta de um treinador que busca devolver ao grupo a lucidez necessária para transformar domínio territorial e chances em resultados concretos.
No capítulo individual, houve novidades encorajadoras. As condições de Nicolò Zaniolo foram descritas como em evolução: o atacante já vinha em crescimento na última exibição diante do Bologna. Mais significativo ainda foi o regresso de Keinan Davis ao trabalho com o grupo. “É positivo que ele tenha voltado ao coletivo, não teve incômodos e demonstra vontade. É um dos nossos líderes, possui qualidades únicas no elenco.” Runjaic, entretanto, manteve cautela quanto à escalação: “Não sei se começará como titular; temos testado várias opções.”
Como analista que observa o esporte em sua dimensão histórica e social, é importante lembrar que partidas como esta funcionam também como termômetros de projetos. O Udinese atravessa um momento em que consolidar identidade tática e convicção coletiva será tão decisivo quanto o próprio talento individual. Em campos onde a sorte costuma pender para quem está mais preparado, a exigência por intensidade e precisão torna-se, assim, imperativa.
O jogo, postergado para a chamada ‘posticipo’, assume contornos de urgência: pontos que valem classificação, confiança e narrativa para o restante da temporada. Runjaic pediu atitude; o desafio é convertê‑la em resultados palpáveis dentro dos noventa minutos.






















