Em uma noite que pedia cautela mas acabou em desapontamento, a Reyer Veneza sofreu uma derrota inesperada em casa no Taliercio, caindo por 79-81 diante da Reggio Emilia. O revés interrompeu uma sequência positiva de cinco vitórias consecutivas e expõe problemas estruturais que exigem leitura além do placar.
O resultado ganha contornos mais preocupantes se observado no detalhe que mais pesou na balança: os visitantes dominaram a luta por rebotes, especialmente os rebotes ofensivos. Foram 17 segundas e terceiras oportunidades conquistadas por Reggio, pontos que se traduziram em cestas decisivas e que, no fim, fizeram falta à defesa lagunar.
Ausente parte do elenco titular, a Reyer ainda sentiu a falta de peças como Nikolic e Bowman. Apesar disso, houveram esforços individuais de destaque: Tessitori somou 17 pontos e Wiltjer mais 16, tentando manter a equipe no jogo. Mas basquete é, antes de tudo, batidas repetidas de detalhes — e a incapacidade de fechar o rebote defensivo transformou o jogo.
O início parecia promissor para os orogranata. Spahjia viu seus homens abrir 17-6, levando a torcida a acreditar numa noite tranquila. A reação de Reggio, porém, veio ainda no primeiro quarto: um parcial que anulou a vantagem e levou o marcador ao empate de 25-25 antes do intervalo. No segundo quarto, a Reyer passou a perseguir o jogo, com dificuldades ofensivas e buracos defensivos explorados por atletas como Caupain e Barford.
Venezia reagiu em ocasiões importantes, impulsionada pela energia de Candi e pelas soluções de Parks e Wiltjer. A equipe chegou a equilibrar a partida e buscou a vitória nos momentos finais. A bola do triunfo, contudo, bateu no aro: Wheatle capturou o rebote decisivo, mas o arremesso final encontrou apenas o ferro. Antes disso, Echenique foi a lances livres e converteu 0/2 — episódios que definiram a margem mínima.
Mais do que a perda de dois pontos na tabela, preocupa a leitura temporal: a derrota acontece poucos dias antes do início da Final Eight da Coppa Itália, competição que exige concentração, pulmão físico e segurança defensiva. Perder o controle dos rebotes é um sintoma que incomoda em torneios de mata-mata, onde cada posse tem valor acrescido.
Sportivamente, a vitória de Reggio Emilia vale pontos preciosos na luta pela salvezza; para Veneza, é um alerta. O clube, com sua história e papel social na cidade, precisa reagir com ajustes táticos e talvez rotatividade para recuperar consistência. Estádios como o Taliercio são microcosmos de identidade local — quando a equipa tropeça ali, a frustração ecoa na comunidade que segue o time como patrimônio cultural.
É uma derrota para ser analisada com frieza: sintomas a corrigir, urgências a priorizar e, sobretudo, um foco renovado antes da Copa. A Reyer tem qualidade, mas o basquete moderno pune descuidos repetidos; reverter isso será a tarefa imediata da comissão técnica.





















