Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Em um encontro que atravessa fronteiras do esporte e da diplomacia informal, o ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, esteve em Cortina para uma conversa prolongada com o presidente do Conselho Regional do Veneto, Luca Zaia. O diálogo, ocorrido nas imediações de Cortina d’Ampezzo, assume hoje contornos que extrapolam o protocolo: é a confirmação de que grandes eventos esportivos — neste caso, a janela criada pelas Olimpíadas — funcionam como plataforma para rearticular relações políticas, econômicas e culturais.
Zaia ressaltou que o vínculo entre o Veneto e os Estados Unidos pode ser descrito como privilegiado, tanto pela projeção americana no cenário internacional quanto pela afinidade histórica e econômica que liga a região a um mercado e a um tecido cultural americanos. Mais do que uma saudação cerimonial, o encontro com Pompeo foi usado para reafirmar essa proximidade com propostas concretas: estreitar relações comerciais, procurar novas oportunidades de cooperação e manter canais abertos em um momento de elevada complexidade sociopolítica global.
Dentro dessa perspectiva, as Olimpíadas não são tratadas como um fim em si, mas como um catalisador. Para Zaia, o evento em curso em Cortina cria um contexto propício para contatos, facilita o surgimento de oportunidades e favorece conversas sobre economia e intercâmbio regional. Trata‑se, em sua visão, de aproveitar a visibilidade internacional para consolidar laços entre territórios que partilham interesses econômicos e culturais — sobretudo quando o cenário geopolitico exige estratégias de diálogo mais articuladas.
O teor da conversa, segundo o presidente do Conselho Regional, foi nesse sentido: valorizar elementos de ligação e tornar mais palpáveis as possibilidades de aproximação entre comunidades e mercados. O encontro, breve em termos oficiais mas denso em simbolismo e conteúdo, evidencia como figuras públicas com experiência diplomática podem contribuir para agendas regionais quando inseridas em contextos esportivos de grande alcance.
Do ponto de vista institucional e simbólico, momentos como esse têm dupla função. Primeiro, geram continuidade de diálogo — um fluxo que, quando sustentado, transforma-se em projetos e parcerias concretas. Segundo, projetam internacionalmente a capacidade de um território como o Veneto de se colocar como interlocutor credenciado, atento tanto às dimensões econômicas quanto às culturais.
Zaia finalizou agradecendo a disponibilidade de Mike Pompeo e manifestando a expectativa de novos encontros. Em termos mais amplos, a cena em Cortina ilustra uma tendência contemporânea: grandes eventos esportivos funcionam, também, como arena de diplomacia pública, onde agentes subnacionais negociam presença, oportunidade e narrativa. Para o Veneto, essa é uma chance de reafirmar papel e identidade no mapa das conexões euro-americanas.






















