Gianluigi Jessi, nascido em 1945 e lembrado como uma das figuras centrais do Petrarca Basket, faleceu no dia 24 de fevereiro. A notícia comoveu a comunidade esportiva de Pádua: trata-se do terceiro luto em poucos dias entre aqueles que moldaram a identidade do clube Tre Pini nas décadas de 1960 e 1970.
À frente das quadras, Jessi era a síntese de uma ideia de basquetebol elegante e cerebral. Ala de talento cristalino, técnica refinada e leitura de jogo avançada, ele fez do Petrarca uma referência nacional em uma época em que o clube conseguia espaço de destaque no cenário italiano. Crescido esportivamente sob a tutela do Tre Pini, Jessi personificou um estilo pautado por fundamentos limpos, inteligência coletiva e disciplina tática.
O alcance da sua trajetória ultrapassou os limites da cidade. Com a seleção italiana, viveu a experiência máxima ao disputar os Jogos Olímpicos da Cidade do México em 1968, vestindo a camisa azzurra num momento em que o basquetebol italiano buscava afirmação internacional. Além disso, participou de dois Campeonatos do Mundo, contribuindo para fortalecer a credibilidade da Itália em palcos globais e deixando uma marca relevante na história da modalidade.
Para Pádua, foi motivo de orgulho ter um representante nas maiores vitrines esportivas: a sua presença nos torneios internacionais simbolizava a capacidade do clube e da cidade de formar atletas capazes de competir no mais alto nível. Mas Jessi não se limitou ao atletismo. Homem de interesses múltiplos, foi entusiasta de rally e modelismo, paixões que cultivou com a mesma dedicação com que abordava o esporte.
Fora das quadras, dedicou-se a iniciativas culturais: foi fundador e permaneceu diretor do Museo Veneto del Giocattolo, instalado na sede da residência para idosos OIC do bairro Mandria. Sob sua direção, o museu tornou-se um ponto de referência para o território e para gerações de visitantes, um testemunho do compromisso de Jessi com a memória, a educação e a comunidade local.
A figura de Gianluigi Jessi permanece como a de um atleta completo e de um cidadão que deixou rastros profundos — tanto no esporte quanto na vida civil. O seu nome ficará inscrito na história do Petrarca e no relato do basquetebol italiano, não apenas pelos resultados, mas pelo exemplo cultural que representou: o de um clube regional capaz de projetar uma identidade e de formar protagonistas para a cena nacional e internacional.
Como repórter e analista, vejo na trajetória de Jessi um espelho das transformações do esporte italiano do pós-guerra: clubes que nasciam de identidades locais, atletas que se tornavam símbolos de uma cidade e iniciativas culturais que preservavam memórias coletivas. A sua perda é, portanto, também um lembrete da importância de conservar essas histórias para compreender o presente.
Minhas condolências à família, aos companheiros de Petrarca e a todos que guardam lembranças do seu tempo nas quadras e fora delas. Em uma época em que o desporto é cada vez mais global e comercial, recordações como a de Gianluigi Jessi ajudam a manter viva a ligação entre um clube, sua cidade e a sua identidade.
Otávio Marchesini — Repórter de Esportes, Espresso Italia





















