A segunda fase dos Jogos toma forma e, em 7 de fevereiro, as Olimpíadas Milano Cortina reservam o primeiro lote expressivo de medalhas. Para a Itália, o dia traz competições tradicionais — e discursos que atravessam identidade regional e história esportiva — com nomes que carregam responsabilidade e expectativa: dos velocistas das pistas aos praticantes de disciplinas emergentes.
O calendário abre com a prova que costuma consagrar heróis nacionais: a descida livre masculina, marcada para as 11h30 em Bormio. Lá estarão os azzurri Giovanni Franzoni, Dominik Paris, Florian Schieder e Mattia Casse. Bormio não é um Coliseu simbólico apenas pela altitude — é um pedaço da memória alpina italiana, onde tradição técnica e risco se encontram. A participação desses atletas confirma a aposta do país nas suas raízes alpinas.
Às 13h00, no lago de Tesero, corre-se o skiathlon feminino de esqui de fundo, com Anna Comarella, Maria Gismondi e Martina Di Centa defendendo as cores nacionais. A resistência e a estratégia coletiva do skiathlon são uma leitura fiel da escola nórdica italiana, que costuma traduzir coesão regional em rendimento internacional.
No patinodromo, os 3000 metros do pattinaggio di velocità feminino colocam em destaque Francesca Lollobrigida, ainda que a campeã não pareça na sua forma ideal. A leitura aqui é dupla: há sempre a expectativa sobre nomes consagrados e a necessidade de compreender o contexto físico e competitivo que pode alterar prognósticos.
O dia também dará espaço às partidas de equipe e às modalidades que refletem mudanças no mapa esportivo italiano. No curling de duplas mistas, Aron (Amos) Mosaner e Stefania Constantini terão dois compromissos importantes, contra Suécia e Noruega, testando uma disciplina onde a Itália tem investido em formação técnica e táctica. A seleção feminina de hóquei no gelo enfrenta a Suécia em confronto que mede trajetória e infraestrutura do esporte no país.
Entre os eventos nitidamente individuais, atenção ao Big Air de snowboard, com o jovem Ian Matteoli, e ao slopestyle do freestyle, onde Maria Gasslitter e Miro Tabanelli buscam vagas nas finais. No trenó, as duas primeiras descidas do singolo maschile do slittino contarão com Leon Felderer, Alex Gufler e sobretudo Dominik Fischnaller, nome de referência na modalidade.
Finalmente, o pattinaggio di figura em sua disputa por equipes terá mais duas apresentações que podem ser decisivas para a Itália sonhar com um pódio coletivo — um lembrete de que o resultado olímpico nasce de somas e sequências, não de atos isolados.
Programação com atletas italianos (horários locais)
- 10:30 — Slopestyle feminino, qualificações (1ª manche): Maria Gasslitter
- 11:30 — Descida livre masculina (Bormio): Giovanni Franzoni, Dominik Paris, Florian Schieder, Mattia Casse
- 11:35 — Slopestyle feminino, qualificações (2ª manche): Maria Gasslitter
- 13:00 — Skiathlon feminino (Lago di Tesero): Anna Comarella, Maria Gismondi, Martina Di Centa
- 14:00 — Slopestyle masculino, qualificações (1ª manche): Miro Tabanelli
- 14:35 — Curling dupla mista, fase de grupos: Itália–Suécia (Aron Mosaner / Stefania Constantini)
- 14:40 — Hóquei no gelo feminino, fase de grupos: Itália–Suécia
- 15:05 — Slopestyle masculino, qualificações (2ª manche): Miro Tabanelli
- 16:00 — Patinação de velocidade — 3000 m feminino: Francesca Lollobrigida
- 17:00 — Slittino singolo maschile, 1ª manche: Leon Felderer, Alex Gufler, Dominik Fischnaller
- 18:32 — Slittino singolo maschile, 2ª manche: mesmos atletas
- 18:45 — Salto com os skis — trampolino pequeno feminino, 1º turno: Jessica Malsiner, Martina Ambrosi, Martina Zanitzer, Annika Sieff
- 19:05 — Curling dupla mista: Itália–Noruega (Aron Mosaner / Stefania Constantini)
- 19:30 — Big Air snowboard, final (1ª manche): Ian Matteoli
- 19:45 — Patinação artística — provas por equipes: continuidade das disputas
O dia promete consolidar narrativas: a confirmação de veteranos, a emergência de jovens nomes e o teste das disciplinas coletivas que refletem estruturas nacionais. A leitura esperada deve ser técnica e cultural — entender desempenhos como expressão de formação, investimento e memória esportiva italiana, não apenas como somatório de resultados.
Fique atento às transmissões e à evolução das condições de pista, dois fatores que podem reordenar prognósticos e transformar favoritos em outsiders. E mantenha em vista os nomes em negrito: são os protagonistas que carregam, hoje, a sexta-feira das Olimpíadas Milano Cortina para a história.






















