Por Otávio Marchesini — A segunda metade de fevereiro mantém a intensidade competitiva nas Olimpíadas Milano Cortina e, em 14 de fevereiro, a delegação italiana entra em pista com múltiplas possibilidades de luta por medalhas. A leitura do dia exige atenção ao calendário, à condição física dos atletas e ao peso simbólico de cada prova: estádios e pistas continuam sendo palcos onde se entrelaçam memória coletiva e expectativa nacional.
Na jornada, já com resultados definidos em algumas disciplinas, registrou-se a entrega de pódios no freestyle e na staffetta feminina do esqui de fundo. A equipe italiana terminou em sexto lugar na estafeta (Federica Cassol, Iris De Martin Pinter, Martina Di Centa e Caterina Ganz), atrás do tradicional domínio escandinavo — Noruega, Suécia e Finlândia ocuparam o pódio. Em freestyle, Manuela Passaretta, marcada por problemas físicos, foi eliminada nas oitavas, ficando fora da briga por medalhas.
No esqui alpino, o dia foi complicado para os azzurri no gigante: Alex Vinatzer e Giovanni Franzoni caíram na segunda manga, numa prova vencida por Pinheiro Braathen. Resultado e calendário revelam que a competição italiana se move entre expectativas legítimas e limitações pontuais — uma narrativa frequente na história dos grandes eventos, quando preparação, clima e acaso interferem nas trajetórias individuais.
Além dessas frentes, o dia traz desafios em disciplinas individuais de alta exposição mediática. No biathlon, o sprint feminino reúne Hannah Auchentaller, Michela Carrara, Lisa Vittozzi e Dorothea Wierer — atletas que, além do fôlego, carregam a expectativa de leitura estratégica do alvo e do percurso. No short track, atenção para Thomas Nadalini, Pietro Sighel e Luca Spechenhauser nos 1.500 m masculinos, e para Chiara Betti, Elisa Confortola e Arianna Fontana nas qualificações dos 1.000 m femininos: pistas curtas onde a margem de erro é mínima e as decisões táticas fazem a diferença.
Segue abaixo o programa e os horários confirmados para os atletas italianos no dia 14 de fevereiro (horário local):
- 9:05–12:05 — CURLING, fase de grupos feminino (Cortina Curling Olympic Stadium): Itália x China — Stefania Constantini, Marta Lo Deserto, Rebecca Mariani, Elena Antonia Mathis e Giulia Zardini Lacedelli.
- 10:00–12:30 — ESQUI ALPINO, slalom gigante masculino – 1ª manga (Stelvio Ski Centre): Luca De Aliprandini, Giovanni Franzoni, Tobias Kastlunger e Alex Vinatzer.
- 10:30–10:55 — FREESTYLE, paralelo moguls feminino – 16 avos de final (Livigno Aerials & Moguls Park): Manuela Passaretta.
- 11:20–12:00 — FREESTYLE, fases seguintes (oitavas, quartos, semis e final) – eventual participação de Manuela Passaretta conforme classificação.
- 12:00–13:55 — ESQUI DE FUNDO, staffetta feminina (Tesero Cross-Country Skiing Stadium): Federica Cassol, Iris De Martin Pinter, Martina Di Centa e Caterina Ganz.
- 13:30–15:10 — ESQUI ALPINO, slalom gigante masculino – 2ª manga (Stelvio Ski Centre): Luca De Aliprandini, Giovanni Franzoni, Tobias Kastlunger e Alex Vinatzer.
- 14:45–16:15 — BIATHLON, sprint feminino (Anterselva Biathlon Arena): Hannah Auchentaller, Michela Carrara, Lisa Vittozzi e Dorothea Wierer.
- 16:40–19:10 — HÓQUEI NO GELO, grupo B masculino (Milano Santa Giulia Ice Hockey Arena): Finlândia x Itália.
- 17:00–17:55 — PATINAÇÃO DE VELOCIDADE, 500 m masculino (Milano Ice Park): Jeffrey Rosanelli.
- 18:00–19:15 — SKELETON, individual feminino – 3ª descida (Cortina Sliding Centre): Alessandra Fumagalli e Valentina Margaglio.
- 18:45–20:50 — SALTO DE ESQUI, trampolim LH, individual masculino (Predazzo Ski Jumping Stadium): Giovanni Bresadola, Francesco Cecon e Alex Insam.
Do ponto de vista estratégico, a diversidade de provas no calendário do dia revela duas dimensões do esporte italiano contemporâneo: afeta-se tanto a consolidação de tradições — como o salto e o esqui de fundo — quanto o desenvolvimento de áreas menos históricas no país, como determinados ramos do freestyle e do short track. Cada resultado carrega repercussões para clubes, federações e para a cultura esportiva regional que sustenta esses talentos.
O acompanhamento do dia requer olhar atento não apenas aos pódios, mas às leituras posteriores: quem confirma projeto de longo prazo, quem sofre um revés pontual e que narrativas emergirão nas cidades que veem nesses atletas representantes de identidade e de esperança coletiva. A agenda de 14 de fevereiro, portanto, é mais do que uma lista de horários — é um mapa de possibilidades para o esporte italiano nas Olimpíadas Milano Cortina.






















