Milão-Cortina 2026 — Em uma tarde que condensou técnica, história e emoção na clássica pista Stelvio de Bormio, o suíço Franjo Von Allmen conquistou a medalha de ouro na prova de discesa livre. O resultado consolidou uma das performances mais sólidas do dia, com dois italianos no pódio: Giovanni Franzoni faturou a prata e Dominik Paris o bronze.
A vitória de Von Allmen (1:51.612) chega como coroamento num traçado que há décadas exerce papel de termômetro para os melhores downhillers do circuito. Para a Itália — país que vive o esqui como componente de identidade regional em vales alpinos e Tellina de tradição — o segundo e terceiro lugares trazem um recado duplo: talento emergente e a duradoura presença dos veteranos.
Giovanni Franzoni, que fechou a prova a 0s20 do vencedor, descreveu a surpresa e a intensidade do momento: «Não me lo sarei mai immaginato. Pensare a inizio stagione di poter vincere a Kitzbuehel e di portare una medaglia in discesa… sono cose che non avrei mai immaginato. E’ stata strana questa gara… poi man mano che si è avvicinata la partenza mi è salita tanta [tensione]… ho guardato Monney e Odermatt che hanno sciato benissimo, poi è sceso Franjo che ha fatto una manche devastante…»
Dominik Paris, cuja carreira na disciplina já acumulou quase tudo — exceto até então a medalha olímpica em downhill — viveu no pódio um momento de alívio e reconhecimento: «Pazzesco, ho provato così tante volte, forse quest’anno sono cresciuto in stagione. Una cosa bellissima essere riuscito a fare una grande prova su questa pista difficile. Bellissimo essere sul podio con Giovanni».
A prova confirmou a profundidade da preparação técnica e mental exigida pela Stelvio. Marco Odermatt e Alexis Monney, ambos da Suíça, também entregaram tempos competitivos, mostrando que a disputa se desenhou por décimos e ajustes de linha em pontos-chave do traçado.
Classificação — Discesa livre (tempo)
- 1. Franjo Von Allmen (SUI) — 1:51.612
- 2. Giovanni Franzoni (ITA) — 1:51.812 (+0.20)
- 3. Dominik Paris (ITA) — 1:52.112 (+0.50)
- 4. Marco Odermatt (SUI) — 1:52.312 (+0.70)
- 5. Alexis Monney (SUI) — 1:52.362 (+0.75)
- 6. Vincent Kriechmayr (AUT) — tempo próximo
Além da descida, o dia teve desdobramentos em outras modalidades que compõem a narrativa dos Jogos: no skiathlon 10+10 km feminino, a sueca Karlsson levou o ouro, seguida por sua compatriota Andersson e pela norueguesa Weng, num pódio que reforça a tradição escandinava nas provas de endurance do cross-country.
No freestyle, Maria Gasslitter assegurou a última vaga para a final de slopestyle representando a Itália, com o 12º melhor resultado (54,66) obtido na primeira passagem. A suíça Mathilde Gremaud e a chinesa Eileen Gu (Ailing) lideraram a qualificação, sinalizando favoritismo para a decisão.
Também estão sendo anunciados pódios do pattinaggio di velocità feminino nos 3000 m, do salto de trampolim normal feminino e do snowboard big air masculino, resultados que compõem um quadro de Jogos multifacetado, em que diferentes tradições e formatos competitivos se cruzam e reconstroem narrativas nacionais.
Mais do que medalhas, o que se vê em Bormio é a complexa interseção entre trajetória pessoal dos atletas, estratégias de equipe e o peso simbólico de pistas históricas. A Itália, com Franzoni e Paris no pódio, respira alívio e projeção: há continuidade — e há história — nas linhas deixadas sobre a neve da Stelvio.






















