Antonio Conte saiu do estádio Diego Armando Maradona com uma leitura paciente e, ao mesmo tempo, exigente da partida que terminou empatada em 2 a 2 entre Napoli e Roma. Para o treinador, remontar duas vezes um placar adverso não é tarefa simples — mas a equipe teve mérito por insistir e poderia inclusive ter conquistado os três pontos.
O empate, condicionado por pressão intensa de ambos os lados, foi para o técnico um jogo “à inglesa”: ritmo acelerado, duelos físicos e transições rápidas que exigiram controle emocional e tático. Conte destacou a intensidade e elogiou a entrega dos jogadores em uma temporada que ele mesmo definiu como difícil.
Um episódio que marcou a noite foi a reação da arquibancada. A Curva B estendeu quatro faixas com uma mensagem que, segundo o treinador, sintetiza a relação entre time e cidade: “Não sabemos qual será nosso destino. Mas até o fim estaremos ao vosso lado… Apesar das muitas dificuldades, estais honrando a camisa e a cidade!”. Conte agradeceu publicamente: “Obrigado aos torcedores que reconheceram o que estamos fazendo, honrando a camisa e combatendo por Napoli. É mérito desses rapazes que enfrentam este ano com dignidade”.
No campo, o empate foi construído com momentos de alegria e preocupação. O gol de igualdade veio de Alisson, que tem treinado com o grupo há poucas semanas e já demonstra progressos: “Alisson é muito bom no um contra um, consegue superar o marcador”, observou Conte. Sobre Giovane, também recém-chegado, o técnico foi claro ao apontar que o jogador está sendo usado como trequartista, apesar do seu perfil mais de centroavante. Ambos precisam ainda assimilar os automatismos do time: “Eles estão aqui há pouco tempo, mudaram totalmente de vida e trabalham com humildade”, disse.
Questionado sobre a preocupação com lesões, em especial a de Rrahmani, Conte preferiu manter a sobriedade habitual: “Não sei como está, veremos. Um a mais ou um a menos agora não altera nossa abordagem. Não quero falar só de lesões; vou focar no que temos”. A resposta revela um princípio que atravessa sua gestão: foco nas soluções imediatas e no elenco disponível.
Mais do que um resultado, a leitura do jogo por Conte teve horizonte temporal. “Agora temos 13 partidas para nos construir para a próxima temporada, para entender em qual competição europeia estaremos”, afirmou. É uma colocação que remete à natureza estrutural do trabalho: o que se joga hoje é preparação — esportiva e simbólica — para o futuro do clube.
Como analista que observa o esporte além da contabilidade de pontos, vejo no empate não apenas um empate técnico, mas um momento revelador da relação entre clube, cidade e projeto. Aquele gesto da torcida no Maradona e a resposta em campo são capítulos de uma narrativa maior: Napoli não disputa apenas uma tabela, disputa identidade.
Em síntese: um empate que vale por intensidade, um técnico que administra expectativas com firmeza e dois reforços em processo de integração. O calendário pressiona; a cidade observa — e o clube segue em construção.






















