Amos Mosaner emergiu emocionado diante dos microfones em Cortina d’Ampezzo após conquistar a medalha de bronze no curling misto nos Jogos de Milano–Cortina 2026. A vitória na disputa pelo terceiro lugar contra a Grã-Bretanha não foi apenas um resultado esportivo: tornou-se, nas suas próprias palavras, um momento de homenagem e de memória pessoal.
Em um gesto que mistura gratidão e luto, Mosaner declarou: “Dedico esta medalha à minha família, à minha namorada e também à mãe da minha namorada, que infelizmente faleceu no ano passado e que queria muito estar aqui”. A simplicidade da frase carrega o peso de uma trajetória humana onde o esporte encontra seu lugar como espaço de lembrança e solidariedade íntima.
Ao aprofundar essa dedicação, o atleta destacou ainda o papel do seu preparador físico e mental: “E então — acrescentou — eu a dedicaria ao meu preparador, que esteve comigo neste último ano e meio, me ajudando a encarar tudo, às vezes de forma mais leve, porque foi um período muito difícil, sobretudo nos últimos seis meses”. O nome referido foi Andrea Cardone, a quem Mosaner atribuiu não apenas a excelência técnica mas, sobretudo, um suporte psicológico decisivo: “Ele me trouxe até aqui performante e pronto; não é fácil quando acontecem coisas assim. Desejo a todos ter um preparador como ele, que é top tanto na preparação física quanto na parte mental”.
O episódio funciona como uma janela para compreender o esporte contemporâneo além dos resultados: há uma arquitetura de relações — família, afetos e profissionais de apoio — que transforma medalhas em narrativas compartilhadas. Para um atleta que passa por perdas e tensões pessoais, a preparação mental organizada por profissionais como Cardone pode fazer a diferença entre largar e seguir competitivo.
Do ponto de vista coletivo, a cena em Cortina reafirma uma dimensão cultural do esporte italiano: a performance pública serve para reafirmar laços, nomear ausências e celebrar a resiliência. A declaração de Mosaner evitou triunfalismos vazios e preferiu o tom contido de quem entende a vitória como resultado de uma rede — e não apenas de um talento solitário.
Em termos práticos, a medalha de bronze no curling misto consolida o evento como um espaço de renovada atenção pública, abrindo conversas sobre formação, preparação e suporte emocional aos atletas. Para Mosaner, a conquista em Cortina ficará ligada a rostos e lembranças: da família que o acompanhou, da namorada que partilha a vida e da memória da mãe dela, cuja presença ausente foi transformada em homenagem.
Como repórter, vejo nessa breve declaração não apenas um momento de emoção pessoal, mas um sintoma maior: o esporte como espelho social que recombina tradição, perda e cuidado. A medalha, assim, é histórica e íntima ao mesmo tempo — um pequeno objeto que carrega toda uma teia humana por trás.






















