Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Em uma prova que conjuga técnica, sorte e narrativa, Michela Moioli e Lorenzo Sommariva garantiram a medalha de prata na disputa por equipes mista do snowboardcross nos Jogos Olímpicos Milano Cortina 2026. A final, disputada em Livigno, terminou com a vitória da dupla britânica Huw Nightingale e Charlotte Bankes; o bronze ficou com os franceses Loan Bozzolo e Léa Casta. Para a delegação italiana, é a 22ª medalha nestes Jogos.
O resultado de Moioli acrescenta um novo capítulo a uma carreira que já dialoga com a memória coletiva do esporte italiano contemporâneo: ouro em PyeongChang-2018, prata no torneio por equipes em Pequim-2022, campeão mundial em 2025 e agora mais um pódio em solo italiano. Aos 31 anos, natural de Alzano Lombardo e atleta do Exército, Michela Moioli transformou, novamente, uma narrativa pessoal de superação em um símbolo coletivo. Poucos dias antes, ela sofreu um acidente de treinamento com trauma facial, e houve temor sobre sua participação — a presença no pódio confirma não apenas a qualidade técnica, mas também a resiliência que a caracteriza.
Do lado esportivo e social, a prova em Livigno reafirma a centralidade das estações alpinas no imaginário nacional: não são apenas cenários competitivos, mas espaços de afirmação regional e construção de identidades. A dupla italiana correu na big final com agressividade controlada, tentando neutralizar a vantagem dos britânicos, que abriram caminho com boas escolhas táticas e uma condução sólida da pista.
Lorenzo Sommariva, parceiro de Moioli nesta campanha, teve papel fundamental ao garantir ritmo e colocação na primeira metade da prova, deixando a decidir a disputa pelas posições de pódio. O resultado coletivo é fruto de um trabalho de equipe e de uma lógica de formação que, nas últimas temporadas, vem privilegiando estratégias combinadas entre atletas de diferentes gerações.
Além do resultado imediato, é preciso olhar o contexto: a sucessão de pódios de Michela Moioli — em Mundiais e Olimpíadas — ajuda a consolidar o snowboardcross como disciplina de referencial para a Itália nos esportes de inverno. Ao mesmo tempo, a presença de nomes como Moioli e Sommariva nas fases decisivas contribui para a visibilidade das modalidades de prancha e para a atração de investimentos e centros de treinamento nas regiões alpinas.
Em termos simbólicos, a prata em Livigno reforça a ideia de esportes como palco de memórias coletivas. Estádios e pistas são lugares onde a geografia se encontra com a história pessoal dos atletas: a cidade natal, a federação, o clube e até o apoio institucional — como o vínculo de Moioli com o Exército — entram na narrativa que antecede cada largada.
Para a Itália, a medalha é mais uma confirmação de que a aposta em estruturas, formação e continuidade competitiva produz resultados. Para Michela Moioli, é a consolidação de uma carreira que já faz parte do patrimônio esportivo recente do país. E, para o público italiano, o pódio em Livigno é mais um momento de identificação em um ciclo olímpico que mescla tradição e renovação.






















