ROMA — Na prova masculina de skeleton dos Jogos Olímpicos de Milano Cortina 2026, o britânico Weston subiu ao lugar mais alto do pódio, deixando para trás a forte presença alemã representada por Jungk e Grotheer. O chinês Chen fechou em quarto lugar. Entre os italianos, o mais próximo do sonho olímpico foi Amedeo Bagnis, que terminou em quinto; o outro representante nacional, Mattia Gaspari, ficou na 13ª colocação.
Para quem acompanha o desenvolvimento das modalidades de deslize na Itália, o resultado de Bagnis é um indicativo contraditório: por um lado confirma a evolução técnica de competidores italianos capazes de disputar posições cimeiras; por outro, evidencia a distância ainda a ser encurtada para bater de frente com as potências histórica e financeiramente consolidadas do esporte. A expectativa de um pódio caseiro não se confirmou, mas o quinto lugar tem um valor simbólico e prático para programas de formação e financiamento.
O triunfo de Weston — que impôs ritmo e consistência nas descidas decisivas — reforça a permanência do Reino Unido no mapa do skeleton mundial. Atrás dele, Jungk e Grotheer mantêm a tradição alemã de excelência em pistas artificiais: estrutura, técnica e continuidade de centros de alto rendimento que produzem resultados em ciclos olímpicos.
O quarto lugar de Chen confirma a presença asiática com atuação competitiva, resultado de investimentos crescentes e de um calendário de preparação focado nas pistas de inverno de elite. Ao cruzar essa barreira de competitividade, atletas como Chen pressionam europeus e britânicos a renovarem esforços e estratégias.
Do ponto de vista italiano, a leitura pós-prova requer equilíbrio: a performance de Bagnis deve servir como capital político e esportivo para reivindicar mais recursos e visibilidade para o skeleton nacional, modalidade que historicamente convive com orçamentos restritos e menor atenção midiática em comparação ao futebol ou ao automobilismo. A inauguração de um ciclo olímpico com a Itália como sede deveria, idealmente, catalisar esse processo; o desafio é transformar desempenho pontual em projeto sustentado.
Para o público e para as federações, a lição é clara e pouco romântica: resultados próximos ao pódio exigem planejamento de longo prazo, retenção de talentos e investimentos em tecnologia e logística. Em termos culturais, a presença de atletas italianos entre os melhores do mundo traz à tona a dimensão comunitária do esporte — cidades, clubes e famílias que acompanham trajetórias muitas vezes anônimas até o momento em que a televisão projeta seus nomes.
Em suma, o dia terminou com celebração para Weston e com convicção reforçada para Itália: o caminho rumo ao pódio olímpico em skeleton é conhecido; resta agora construir as condições coletivas para que sonhos individuais, como o de Amedeo Bagnis, encontrem solo mais firme e estrutural.
Otávio Marchesini — Repórter de Esportes, Espresso Italia






















