TESERO, 10 de fevereiro de 2026 — Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
A jornada do esqui de fundo italiano nos Jogos de Inverno Milano Cortina começou com um sinal positivo: as quatro representantes da seleção nacional que largaram na prova de sprint em técnica clássica, disputada em Val di Fiemme, avançaram às quartas de final.
Entre as italianas, a melhor classificação no primeiro turno foi de Nicole Monsorno, natural da própria Val di Fiemme, que obteve o sexto tempo e garantiu vaga nas eliminatórias seguintes. Na sequência, confirmaram presença nas quartas a trentina Caterina Ganz (Cavalese), a valdostana Federica Cassol — nona no cronômetro — e a bellunesa Iris De Martin Pinter, que ficou em 19º entre as 30 classificadas para as quartas.
O resultado tem dupla leitura. Em termos esportivos, é a confirmação de que a Itália mantém fôlego no formato de sprint, tradicionalmente dominado por nações do Norte e da Escandinávia. Em termos culturais e identitários, a presença de atletas oriundas de pequenos centros alpinos — Fiemme, Cavalese, Aosta e Belluno — lembra como o esqui nórdico continua sendo um reflexo das regiões montanhosas italianas: polos de formação, memórias coletivas e sentido de pertencimento local.
Quem acompanha o circuito sabe que o sprint em técnica clássica exige combinação de velocidade, posicionamento tático e leitura do calor. Passar pelo primeiro corte é importante não só para a moral, mas para possibilitar confrontos diretos nas baterias,onde fatores como arrancada, relances em curvas e resistência anaeróbia fazem a diferença. A classificação das quatro italianas abre possibilidades, mas as quartas de final, as semifinais e a final impõem exigências progressivas e deixam pouco espaço para erro.
Também há um componente simbólico: Val di Fiemme não é terreno neutro. A região é um dos centros históricos do esqui nórdico na Itália — sede de mundiais e palco recorrente de competições internacionais — e a vitória local tem um peso que transborda o resultado bruto. Nicole Monsorno, ao se colocar entre as melhores do dia, traduz essa conexão direta entre atleta e território.
Para a seleção italiana, a rodada avança com a necessidade de transformar o desempenho inicial em raça nas baterias eliminatórias. A gestão do esforço, o conhecimento do traçado e a experiência em confrontos curtos serão determinantes. Além disso, a progressão conjunta de atletas de diferentes áreas alpinas reforça a ideia de uma base territorial plural, capaz de produzir talentos capazes de competir em nível olímpico.
Nos próximos minutos e dias, a atenção volta às baterias das quartas de final. É ali que se decide quem ainda mantém a ambição por medalha e quem volta para casa com uma experiência competitiva que, em campeonatos desse porte, pesa na construção futura.
Espresso Italia acompanha a cobertura desde Tesero, analisando o esporte não apenas como resultado, mas como cartografia social e cultural das montanhas italianas.





















