VERONA, 22 de fevereiro de 2026 — Na cerimônia de encerramento dos Jogos de Milano Cortina, em Verona, o presidente da Fundação Milano Cortina, Giovanni Malagò, fez um discurso que procurou sintetizar o significado esportivo e simbólico de duas semanas intensas de competição.
«Uma só palavra para a Itália Team: Meravigliosi!», declarou Malagò, resgatando a expressão italiana que percorreu as arenas. Para ele, as prestazioni straordinarie dos atletas — que resultaram num recorde nacional de medalhas nos Jogos Olímpicos de Inverno — tiveram um efeito que ultrapassa resultados: «uniram os italianos em todo lugar e contribuíram de forma decisiva para o sucesso dos Jogos».
O pronunciamento, breve e dirigido aos protagonistas do evento, foi sobretudo um gesto de agradecimento. Malagò destacou os atletas como «os verdadeiros protagonistas», cujas conquistas «iluminaram as arenas, inspiraram todos nós e escreveram um capítulo inesquecível no grande livro do Olimpismo». «Esta foi, e permanecerá para sempre, a vossa edição. Missão cumprida», concluiu.
Como repórter e analista, é preciso olhar além do aplauso e do pódio. A frase de Malagò toca pontos estruturais: a capacidade de uma olimpiade de reforçar uma identidade nacional momentânea, de reativar centros urbanos e cadeias econômicas locais, e de projetar uma imagem de competência organizacional no exterior. As vitórias individuais e coletivas reverberam em federações, clubes, centros de formação e no próprio imaginário social sobre o lugar do esporte no país.
Milano Cortina não foi apenas um evento de resultados; foi um teste de coordenação institucional. A cerimônia de encerramento em Verona simbolizou essa articulação — cerimônia que, com o discurso de Malagò, buscou consolidar a narrativa de êxito, não só pelas medalhas, mas pela capacidade de mobilização cultural e logística que o país exibiu.
Para os atletas, a celebração é justa e merecida. Para quem observa o esporte como fenômeno social, a repetida invocação de palavras como «unir» e «inspirar» indica também a função integradora dos grandes eventos: acrescentam camadas de memória coletiva, atualizam velhas dicotomias regionais e oferecem novos modelos de identificação para as próximas gerações.
Ao encerrar sua fala, Malagò agradeceu a todos os envolvidos na realização dos Jogos — das estruturas de organização aos voluntários — e deixou uma mensagem clara aos italianos: a edição de 2026 ficará inscrita não apenas nos livros de medalhas, mas na narrativa pública do esporte nacional.
Otávio Marchesini
Repórter de Esportes — Espresso Italia






















