Milano Cortina serve o ‘Made in Italy’: pasta, pizza e sabores regionais nos Villaggi Olímpicos
Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
No coração dos Jogos de Milano Cortina, onde a competição atlética é o centro das atenções, há uma narrativa paralela que revela tanto a identidade nacional quanto escolhas práticas de logística: a oferta gastronômica nos Villaggi e nos hotéis de apoio privilegia o made in Italy. Não se trata apenas de comida; é uma operação que combina nutrição esportiva, tradição culinária e diplomacia cultural.
Os atletas que se deslocam entre provas e treinos encontram uma área de alimentação disponível 24 horas por dia, com faixas horárias destinadas aos três principais momentos de refeição. O serviço organiza estações específicas para carboidratos, proteínas e opções vegetarianas, além de bancadas com propostas de cozinha internacional. Mesmo assim, o cardápio é dominado pelos clássicos nacionais: pasta e pizza, acompanhadas por frios, queijos, frutas e sobremesas como o tradicional tiramisù.
Além dos ícones da cozinha italiana, os menus buscam representar os territórios anfitriões. Em áreas de altitude e tradição alpina, aparecem produtos e pratos locais — a bresaola da Valtellina e os canederli do Alto Adige, por exemplo —, pequenas demonstrações de identidade regional que permitem aos visitantes provar fragmentos do país entre uma bateria e outra.
Em termos de escala, a operação é robusta: no Villaggio Olímpico de Milão são preparados até 4.500 pratos por dia; quase 4.000 refeições no Villaggio de Cortina; e aproximadamente 2.300 no de Predazzo. Cada restaurante dos Villaggi conta, em média, com seis chefs, responsáveis por manter variedade, qualidade e padrões nutricionais exigidos por equipes de alto rendimento.
Há também suporte hoteleiro em áreas estratégicas: 11 hotéis de apoio em localidades montanhosas como Bormio, Livigno e Anterselva ampliam a capacidade de acomodação e alimentação para delegações cujo calendário exige deslocamentos e aclimatação. Esse arranjo logístico — cozinhas 24h, estações especializadas e conexão com produtos locais — reflete uma compreensão pragmática do que significa alimentar o esporte moderno: eficiência, respeito às necessidades nutricionais e, simultaneamente, promoção cultural.
Como analista, observo que a presença massiva do made in Italy nos Villaggi não é mero folclore; é uma escolha estratégica. O alimento funciona como mídia: transmite imagem, cria memórias e reforça narrativas. Atletas e delegações que experimentam um prato regional, mesmo em contexto de alta performance, guardam uma lembrança que se insere nas relações público-cidade-país.
Em última instância, a cozinha dos Jogos espelha a ambição italiana de ser um anfitrião que não apenas organiza competições, mas conta uma história. Entre uma corrida e outra, a refeição torna-se um pequeno ato de diplomacia cultural — simples, cotidiano e, ao mesmo tempo, profundamente representativo.






















