Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
O circuito de Milano Cortina chega a Livigno para uma das provas mais técnicas do programa olímpico de snowboard: o gigante paralelo. Nesta edição, as qualificações têm início às 09:00 e as finais estão marcadas para as 13:00, horários em que se decidirá não apenas a ordem dos melhores, mas também narrativas pessoais e coletivas que atravessam a história recente do esporte italiano.
A delegação italiana apresenta um grupo com experiência e resultados expressivos. No masculino, serão da partida Maurizio Bormolini, Mirco Felicetti, Roland Fischnaller e Aaron March. No feminino, a Itália aposta em Elisa Caffont, Jasmin Coratti, Lucia Dalmasso e Sofia Valle.
Os números recentes conferem legitimidade às expectativas: em Copa do Mundo, a equipe masculina italiana somou seis vitórias — sendo três delas por Fischnaller e uma vitória para cada um dos outros nomes citados — e alcançou 14 pódios no total. As mulheres também deixaram sua marca com duas vitórias (por Caffont e Dalmasso) e cinco presenças no pódio. Esses indicadores mostram uma constância que transforma candidatos em protagonistas naturais quando a pista exige precisão, leitura de linha e sangue frio.
É crucial lembrar, porém, que o Olimpíada exige outra leitura: a conquista de medalhas se projeta em uma esfera simbólica que vai além do calendário de Copas do Mundo. A Itália tem em sua história olímpica apenas uma medalha no gigante paralelo — o bronze de Lidia Trettel em Salt Lake City 2002 — um dado que pesa nas expectativas e na ambição coletiva. Para muitos atletas, chegar a Livigno é reviver a busca por um lugar permanente na memória esportiva do país.
Do ponto de vista local, Livigno representa um palco familiar e estratégico: altitude e exposição da pista colocam à prova resistência e nervos. A organização, esperada e bem afinada, terá pouco espaço para erro, enquanto o público, presente e exigente, atua como fator adicional de pressão — e, para alguns, estímulo decisivo.
No cruzamento entre legado e presente, será interessante observar quem se sobressai no confronto direto, modalidade que penaliza desvios mínimos e premia quem administra a ansiedade com técnica refinada. A Itália chega como força consolidada na modalidade, mas a história olímpica convida à cautela: nem sempre o favorito da Copa do Mundo converte favoritismo em pódio olímpico.
As qualificações às 09:00 e as finais às 13:00 prometem oferecer um roteiro de emoções em poucas horas — um microcosmo do esporte moderno, onde tradição, treino e imprevisibilidade se encontram.






















